Disparidade de Custos Revelada por Dados do BCE
Apesar de partilharem a mesma moeda e estarem sob a alçada do mesmo Banco Central Europeu (BCE), as famílias na zona euro enfrentam realidades drasticamente distintas no que toca aos créditos à habitação. Dados recentes do BCE, referentes a abril de 2026, revelam que os mutuários nos Estados Bálticos pagam mais do dobro do que as famílias maltesas por um empréstimo para a compra de casa. Esta diferença, que ultrapassa os dois pontos percentuais entre os mercados mais baratos e os mais caros, é uma das conclusões mais marcantes do estudo.
Sul da Europa Lidera em Taxas Baixas, Bálticos no Extremo Oposto
A taxa média do crédito à habitação na área do euro fixou-se em 3,43%. As taxas mais atrativas concentram-se predominantemente no sul da Europa. Malta surge como líder, com uma taxa de 2,08%, seguida pela Bulgária (2,45%), Espanha (2,80%), Portugal (2,85%), Croácia (2,95%) e Eslovénia (2,99%). Em contraste, os Estados Bálticos continuam a apresentar os custos mais elevados. A Letónia lidera a tabela com a taxa mais alta da zona euro, 4,18%, seguida pela Estónia (4,05%) e Lituânia (3,88%). Alemanha, Bélgica e Países Baixos também registam taxas acima da média da zona euro.
Impacto Financeiro das Diferenças de Taxas
As disparidades nas taxas hipotecárias traduzem-se em variações significativas nas prestações mensais. Para um empréstimo de 200.000 euros a 20 anos, um mutuário em Malta pagaria cerca de 1.019 euros mensais, enquanto um cliente na Letónia, com a taxa de 4,18%, enfrentaria uma prestação de aproximadamente 1.231 euros. Ao longo de 20 anos, a diferença no montante total pago pode ascender a quase 50.800 euros em juros adicionais, evidenciando o peso da localização geográfica no custo do financiamento imobiliário.
Fatores que Explicam a Divergência de Taxas
Embora o BCE defina uma única taxa diretora, o preço final do crédito é influenciado por diversos fatores nos sistemas bancários nacionais. A predominância de empréstimos a taxa variável nos países bálticos e na Finlândia (mais de 93% dos novos empréstimos) expõe os mutuários a subidas de juros mais imediatas. Em contrapartida, em países como França, Espanha e Portugal, a preferência por taxas fixas oferece maior estabilidade de custos. A concorrência entre bancos, a concentração de mercados e as fontes de financiamento (depósitos domésticos versus mercados grossistas) também desempenham um papel crucial na determinação das taxas hipotecárias.
Fonte: pt.euronews.com
