Aos 100 anos, morre Elza Berquó, pioneira da demografia no Brasil

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"title": "Aos 100 Anos, Morre Elza Berquó: A Demógrafa Pioneira que Transformou os Estudos Populacionais e Políticas de Gênero no Brasil",
"subtitle": "Professora Emérita da USP e fundadora do Nepo da Unicamp, Elza Berquó institucionalizou os estudos populacionais no país, deixando uma marca indelével na academia e na formulação de políticas públicas de saúde e gênero.",
"content_html": "<p>A demógrafa Elza Salvatori Berquó, Professora Emérita da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, faleceu na quinta-feira (16), aos 100 anos. Reconhecida como pioneira e uma das vozes mais influentes nos estudos populacionais brasileiros, ela deixou um legado inestimável na academia e na formulação de políticas públicas. Elza Berquó foi uma das primeiras pesquisadoras a antecipar o processo de envelhecimento e a tendência de queda da fecundidade da população no Brasil, consolidando-se como figura central na demografia nacional e internacional.</p><h3>Uma Trajetória Acadêmica Brilhante</h3><p>Nascida em Guaxupé, Minas Gerais, Elza Berquó iniciou sua notável jornada acadêmica ao se formar em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 1947. Rapidamente, aprofundou seus estudos, concluindo o mestrado em Estatística na USP em 1949. Em um feito notável para a época, aos 26 anos, em 1951, tornou-se livre-docente em Bioestatística pela mesma instituição. Sua busca por conhecimento a levou aos Estados Unidos, onde obteve o doutorado em Bioestatística pela renomada Columbia University em 1958.</p><h3>Pioneirismo e Institucionalização da Demografia Brasileira</h3><p>Ao retornar ao Brasil na década de 1960, Elza Berquó desempenhou um papel crucial na estruturação da demografia como campo de estudo formal. Ela fundou o Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (Cedip) no então Departamento de Estatística Aplicada da FSP, marcando a criação do primeiro centro de estudos demográficos no país. Durante o período da ditadura militar, mesmo sendo afastada da Universidade e cassada pelo Ato Institucional nº 5, Elza não interrompeu sua produção intelectual e seu ativismo. Em 1969, foi uma das mentes por trás da fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), uma instituição vital para a resistência acadêmica e intelectual. Posteriormente, em 1982, ela fundou e dirigiu o Núcleo de Estudos Populacionais (Nepo) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que hoje orgulhosamente leva seu nome.</p><h3>Impacto em Políticas Públicas e Reconhecimento Nacional e Internacional</h3><p>A influência de Elza Berquó se estendeu além da academia, alcançando a esfera das políticas públicas. Ela presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) desde sua criação em 1994 até 2003, contribuindo significativamente para a formulação de diretrizes populacionais. Além disso, foi uma das fundadoras da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep). Seu trabalho e dedicação foram reconhecidos com inúmeras honrarias: foi condecorada na Ordem Nacional do Mérito Científico em 1998, eleita titular da Academia Brasileira de Ciências em 2001 e fez história como a primeira mulher a receber o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp em 2021.</p><h3>Legado de Coragem e Compromisso Ético</h3><p>Em 2014, Elza Berquó foi agraciada com o título de Professora Emérita da USP e, mais recentemente, uma sala na FSP foi nomeada em sua homenagem. Em 2025, ano em que completaria 100 anos, sua rica trajetória foi celebrada com o lançamento do filme "100 anos de Elza Berquó: tributo", tema de reportagem do Jornal da USP. A Faculdade de Saúde Pública da USP, em comunicado, lamentou a perda, reiterando que "sua atuação sempre se caracterizou pela coragem e pelo compromisso ético, inserindo de forma pioneira as discussões sobre gênero, raça, sexualidade e direitos reprodutivos nos estudos demográficos e na formulação de políticas públicas". Elza Berquó deixa um legado de inovação, resiliência e um profundo impacto na compreensão e no direcionamento das questões populacionais no Brasil.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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