A paisagem dos plantios ilícitos de maconha no Brasil, tradicionalmente concentrada há cinco décadas no sertão da Bahia e de Pernambuco, passa por uma transformação significativa. Evidências recentes apontam para uma expansão desses cultivos para novas regiões, incluindo a Amazônia Legal e outros estados brasileiros onde, até então, não havia registros de plantações extensivas.
Para discutir esse cenário e suas implicações, o Grupo de Pesquisa em Criminologia Experimental e Segurança Pública do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, em parceria com a Associação Internacional de Criminologia em Língua Portuguesa (AICLP), realizará a conferência on-line “Plantios ilícitos de maconha no Brasil: transformações territoriais e mercados ilícitos”.
Conferência Gratuita Aborda Mudanças Geográficas do Tráfico
O evento acontecerá no dia 23 de julho, a partir das 14h (horário de Brasília), e será transmitido exclusivamente pelo canal do IEA-RP no YouTube. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através de um link específico que será disponibilizado pelos organizadores. Haverá emissão de certificado aos participantes que preencherem um formulário de presença, que será enviado no chat durante a transmissão.
A iniciativa visa lançar luz sobre as dinâmicas criminais que impulsionam essa expansão, fugindo do modelo histórico de atividade vinculada a economias ilícitas locais e formas específicas de criminalidade regional.
Novas Organizações Criminosas Impulsionam Expansão, Afirma Pesquisador
O palestrante será o professor Paulo Fraga, titular do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Com base em dados do Observatório dos Plantios Ilícitos no Brasil, o professor Fraga analisará as hipóteses explicativas para esse processo.
Ele argumenta que a expansão não se deve ao conhecido “efeito balão” (balloon effect), mas sim à atuação de novas organizações criminosas. Esses grupos teriam incorporado o cultivo de cannabis às suas estratégias de diversificação de mercados ilícitos, em articulação com outras modalidades de criminalidade organizada, alterando profundamente a geografia do crime no país.
O Especialista por Trás da Análise
Paulo Fraga possui vasta experiência na área de sociologia, com foco em estudos sobre cannabis, sociologia do crime e da violência, e o impacto das políticas de drogas. É bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela UFF, mestre pela UFRJ e doutor pela USP. Atualmente, coordena o Núcleo de Estudos sobre Política de Drogas, Violências e Direitos Humanos (NEVIDH) e o Laboratório Social da Cannabis, ambos da UFJF. Sua pesquisa também abrange sociologia da juventude, direitos humanos e conflitos sociais.
O Grupo de Pesquisa Criminologia Experimental e Segurança Pública, um dos organizadores, dedica-se a estudar métodos e intervenções que gerem evidências científicas sobre a eficácia das estratégias de segurança pública, buscando desenvolver novas abordagens teóricas e recomendações de ação estratégica.
Fonte: jornal.usp.br
