Ferida no Lábio que Não Cicatriza em 15 Dias: Alerta Crucial de Câncer e Como a Exposição ao Sol Aumenta o Risco, Segundo Especialista da USP

Ferida no Lábio que Não Cicatriza em 15 Dias: Alerta Crucial de Câncer e Como a Exposição ao Sol Aumenta o Risco, Segundo Especialista da USP

Lesões persistentes na boca, especialmente no lábio inferior, podem indicar a doença. Conheça os sinais, a importância do diagnóstico precoce e as medidas preventivas para proteger sua saúde.

Uma ferida no lábio que se mantém por mais de 15 dias sem cicatrização pode ser um sinal de alerta para o câncer, conforme adverte o cirurgião-dentista Celso Augusto Lemos Júnior, professor do Departamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia (FO) da USP. O câncer de lábio, que faz parte do grupo dos cânceres da boca, afeta predominantemente a região vermelha do lábio inferior e tem na exposição solar prolongada o seu principal fator de risco.

Exposição Solar: O Principal Fator de Risco e a Prevenção Indispensável

A principal causa associada ao câncer de lábio é a exposição acumulada à radiação ultravioleta ao longo da vida. Isso torna a doença mais comum em trabalhadores que passam longos períodos ao ar livre, como agricultores, pescadores, operários da construção civil, motoristas e vendedores. Para minimizar os riscos, o especialista da USP recomenda o uso diário de protetor solar labial com FPS 15 ou superior, além de chapéus de abas largas e a restrição da exposição direta ao sol entre 10h e 16h.

Sinais de Alerta: O Que Observar nos Seus Lábios

Embora o câncer de lábio possa ser indolor em suas fases iniciais, existem sinais visíveis que demandam atenção. Fissuras, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, áreas endurecidas ou ásperas, e, crucialmente, feridas que não cicatrizam em até duas semanas são indicadores importantes. “Todo paciente deve ficar atento a qualquer ferida que apareça nos lábios e demore mais de 15 dias para cicatrizar”, enfatiza Celso Augusto.

Diagnóstico e Onde Buscar Ajuda Especializada

O diagnóstico definitivo é feito por meio de biópsia, um procedimento simples que remove um pequeno fragmento da lesão sob anestesia local para análise laboratorial. Médicos e cirurgiões-dentistas estão aptos a solicitar esse exame. Em São Paulo, a orientação é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que fará a avaliação e, se necessário, o encaminhamento para a biópsia. A Faculdade de Odontologia da USP também oferece atendimento gratuito para diagnóstico de lesões bucais no Centro de Diagnóstico Oral em Estomatologia, localizado na Cidade Universitária, às segundas e quartas-feiras, às 8h.

Tratamento Precoce: A Chave para Altas Taxas de Cura

A detecção precoce do câncer de lábio eleva significativamente as chances de cura. Dados do National Cancer Institute dos Estados Unidos apontam que entre 90% e 100% dos casos podem ser curados quando o tumor é localizado e o tratamento é iniciado nas fases iniciais. O tratamento primário é cirúrgico. “Em lesões pequenas, o tratamento alcança praticamente 100% de sucesso e com mínimo de cicatriz”, destaca o professor. Em estágios mais avançados, pode ser necessária a combinação com radioterapia e quimioterapia, aumentando o risco de sequelas funcionais e estéticas que podem afetar a fala, a alimentação e a aparência. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 2,8 mil novos casos de câncer de lábio no Brasil em 2026, reforçando a importância da vigilância.

Fonte: jornal.usp.br

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