Carnaval, Baladas e Raves: Cinusp Celebra a Cultura da Festa com Filmes Gratuitos até Março, Incluindo Clássicos e Produções Brasileiras
A primeira mostra do ano do Cinema da USP, ‘A Festa Não Pode Parar’, exibe 22 títulos que exploram a energia da juventude em diferentes celebrações, de São Paulo ao Rio, passando por Nova York e Paris.
O Cinema da USP Paulo Emilio (Cinusp) deu início à sua primeira mostra de filmes de 2024, intitulada ‘A Festa Não Pode Parar’. Com sessões gratuitas que se estendem até o dia 1º de março, o evento promete uma imersão no universo das festas, abrangendo desde o vibrante Carnaval até as baladas eletrônicas e raves. No total, 22 filmes – entre 17 longas e cinco curtas-metragens – compõem a programação diversificada, que mescla produções famosas e obras menos conhecidas.
Francesco Felix, um dos curadores da mostra, destaca o objetivo de iniciar o ano com uma programação animada, capaz de capturar a energia da juventude e as múltiplas facetas das celebrações. As exibições acontecem de segunda-feira a domingo nas salas do Cinusp localizadas no Centro MariAntonia e no Centro Cultural Camargo Guarnieri. É importante notar que não haverá sessões entre os dias 14 e 18 de fevereiro, devido ao feriado de Carnaval. A programação completa está disponível no site do Cinusp.
O Ritmo Brasileiro: Do Carnaval Carioca à Noite Paulistana
A mostra ‘A Festa Não Pode Parar’ valoriza a produção cinematográfica nacional com a inclusão de dois longas-metragens e um curta-metragem brasileiros. Um dos destaques é ‘Anjos da Noite’ (1987), do cineasta e professor da USP Wilson Barros. Premiado como Melhor Diretor no Festival de Cinema de Gramado, o filme oferece um olhar fragmentado sobre as possibilidades da metrópole paulistana, explorando a magia suja e inconfundível da cidade durante a madrugada, através de personagens carismáticos e ambíguos.
Outra joia brasileira é ‘A Lira do Delírio’ (1978), dirigido por Walter Lima Júnior, que tem o Carnaval do Rio de Janeiro como cenário central. A trama acompanha o rapto do bebê de uma dançarina em meio à folia, criando uma obra que se reinventa constantemente, fluindo e desviando-se de sua própria narrativa em um ritmo digno da festa que retrata. O filme, protagonizado pela brilhante Anecy Rocha, foi reconhecido em 2015 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
Entre os curtas, ‘Rock Doido – O Filme’ (2025) promete agitar a tela com as performances da cantora paraense Gaby Amarantos. Com 22 minutos de duração, a obra foi gravada em uma única tomada nas ruas de Belém do Pará, acompanhando o lançamento do quarto álbum de estúdio da artista.
Pistas de Dança Globais: De Nova York a Paris, Uma Viagem Cinematográfica
A mostra também leva o público a viagens internacionais através do cinema, explorando diferentes culturas de festa. A icônica disco music dos anos 1970 é representada por ‘Os Embalos de Sábado à Noite’ (John Badham, 1977), com John Travolta como um dançarino que domina as pistas de Nova York, e ‘Os Últimos Embalos da Disco’ (Whit Stillman, 1998), que retrata o ocaso do gênero.
Em ‘Paris no Verão’ (Jacques Rivette, 1995), a capital francesa serve de pano de fundo para encontros fortuitos de três mulheres em festas pela cidade, em um filme que divaga entre a comédia musical e um realismo abstrato. Já a obra mais antiga da mostra, ‘Madame Satã’ (Cecil B. DeMille, 1930), expõe as dinâmicas de gênero e sexualidade dos Estados Unidos do entreguerras, ao contar a história de uma mulher da alta sociedade que se vinga do marido infiel em uma festa à fantasia.
A Batida Eletrônica e a Cultura Clubber em Foco
A música, elemento indissociável das festas, é uma protagonista em diversos filmes da programação. As batidas eletrônicas e a cultura clubber ganham destaque em títulos como ‘Human Traffic’ (Justin Kerrigan, 1999), cuja narrativa é permeada por música eletrônica e a atmosfera das raves. ‘Interstella 555’ (2003) é a transposição audiovisual do álbum ‘Discovery’, do duo Daft Punk, enquanto ‘Clímax’ (Gaspar Noé, 2018) retrata um grupo de dançarinos em um ensaio final nos anos 1990.
Outros filmes que celebram a música e a cultura das festas incluem ‘Party Monster’ (2003), que explora a cena clubber queer de Nova York nas décadas de 1980 e 1990, ‘O Bonde’ (Krzysztof Kieślowski, 1966), ‘Booksmart’ (Olivia Wilde, 2019), ‘Go Go Tales’ (Abel Ferrara, 2007), ‘Lovers Rock’ (Steve McQueen, 2020), ‘Projeto X’ (Nima Nourizadeh, 2012), ‘Spring Breakers’ (Harmony Korine, 2012) e ‘U.S. Go Home’ (Claire Denis, 1994), oferecendo um panorama completo das diferentes formas de celebrar e viver a vida noturna.
A mostra ‘A Festa Não Pode Parar’ é uma oportunidade imperdível para os amantes do cinema e da cultura das festas. As sessões são gratuitas e acontecem no Centro Cultural Camargo Guarnieri (Rua do Anfiteatro, 109, Cidade Universitária, São Paulo) e no Centro MariAntonia (Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, São Paulo). Não perca!
Fonte: jornal.usp.br
