Mais de 300 professores da USP denunciam “violência institucional” da Reitoria e clamam por diálogo para o fim da greve estudantil

Professores da USP denunciam “violência institucional” da Reitoria e clamam por diálogo

Uma carta aberta, assinada por mais de 340 professores da Universidade de São Paulo (USP), incluindo nomes como Lilia Moritz Schwarcz, Carinne Magnago e Jorge Luiz Souto Maior, foi divulgada expressando profunda preocupação com os rumos da crise na instituição. O documento critica veementemente a postura da Reitoria diante da greve estudantil, apontando para uma escalada de “violência institucional” e a recusa em estabelecer um diálogo construtivo.

A escalada do conflito e a postura da Reitoria

Os docentes manifestam sua aflição não apenas com os fatos recentes que levaram à suspensão de reuniões, mas, sobretudo, com o que classificam como “silêncio diante da desocupação violenta da Reitoria em 10 de maio pela polícia militar”. A carta elenca uma série de atos da gestão que, segundo os signatários, contribuem para o aprofundamento do impasse: a recusa reiterada à negociação com os estudantes, ameaças de punição administrativa e até jubilamento, a mudança intempestiva do local do Conselho Universitário e o tratamento dispensado à própria Comissão de Moderação e Diálogo Institucional, que acabou por se dissolver.

Estudantes buscam soluções, Reitoria se fecha

O documento ressalta que a recusa em negociar parte da Reitoria, mesmo diante de uma contraproposta estudantil considerada “acessível e coerente com os limites do orçamento” da universidade. “Infelizmente esta proposta foi sumariamente ignorada”, afirmam os professores. Enquanto o movimento estudantil tem demonstrado um esforço em fundamentar suas demandas dentro da realidade orçamentária, a gestão, segundo a carta, “se fecha cada vez mais ao diálogo e fortalece as diretrizes de violência institucional”, optando pela violência, seja ela institucional ou policial, o que apenas estendeu a greve em vez de resolvê-la.

O papel do Conselho Universitário e a legitimidade das demandas estudantis

A carta também questiona o papel do Conselho Universitário, que, em vez de ouvir a comunidade acadêmica, “preferiu fechar-se e decidir sozinho as pautas de estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes”. Os professores defendem a legitimidade das reivindicações estudantis, lembrando o histórico de lutas do movimento em defesa da autonomia universitária, da contratação de docentes e da alocação de mais recursos para a USP. “Suas demandas são mais que legítimas, elas são do interesse geral da Universidade”, enfatizam.

Um apelo ao diálogo e à construção coletiva

Diante do cenário, os docentes fazem um apelo por uma mudança de abordagem. “Todos desejamos o fim da greve, incluindo os estudantes. Mas com diálogo”, declara a carta. A proposta é clara: que o reitor da USP, pessoalmente, negocie as pautas estudantis e que seja estabelecido um compromisso de construção coletiva da Universidade. A iniciativa busca abrir um novo caminho para a resolução do conflito, pautado na escuta e na participação de todos os segmentos da comunidade acadêmica.

Fonte: jornal.usp.br

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