A Difícil Missão de Definir o Primeiro Bloco de Carnaval do Brasil: Uma Jornada Histórica
Do violento Entrudo aos cordões carnavalescos, a origem dos blocos se perde entre diferentes nomes e celebrações que moldaram a folia brasileira.
As Raízes Turbulentas do Carnaval Brasileiro
A história do Carnaval no Brasil é um mosaico complexo, cujas origens remetem ao século 16 com o Entrudo, uma festa portuguesa de características bastante distintas da folia atual. No Brasil colonial, o Entrudo se manifestava de duas formas: o popular, que tomava as ruas de forma anárquica e com elementos pouco higiênicos como água, farinha e até dejetos, sendo frequentado pelas camadas mais pobres da sociedade; e o familiar, realizado em ambientes domésticos, com um caráter mais social e de aproximação entre famílias.
A Influência Francesa e o Nascimento dos Desfiles
No século 19, a chegada da Missão Francesa trouxe consigo influências europeias, como os luxuosos bailes de máscara, que se tornaram febre entre a elite brasileira. Essa fusão cultural, combinada com as tradições locais, deu o pontapé inicial para o Carnaval como o conhecemos. A partir de meados do século 19, surgiram as chamadas “missões carnavalescas” ou sociedades carnavalescas, grupos, muitas vezes organizados por jovens de famílias abastadas, que desfilavam pelas ruas, reunindo-se em locais específicos antes de seguir para bailes famosos.
Os Candidatos a Pioneiros e a Confusão de Nomes
A dificuldade em determinar o “primeiro bloco” reside na própria evolução do conceito e nos diversos nomes utilizados para designar esses grupos. Até a primeira década do século 20, era comum que esses agrupamentos fossem chamados de clubes, cordões, ranchos ou sociedades, sem uma denominação fixa. O termo “bloco” só ganhou mais força a partir de 1906. Entre os possíveis precursores, destacam-se o Congresso das Sumidades Carnavalescas (1855), considerado uma sociedade carnavalesca; o Bloco dos Trepadores do Engenho (1906), defendido por alguns historiadores como o pioneiro; o Grupo Carnavalesco Barra Funda (1914), apontado como o primeiro de São Paulo; e o icônico Cordão da Bola Preta (1918), um dos mais antigos do Rio de Janeiro.
A Transformação Musical e a Consolidação da Folia
Paralelamente ao surgimento dos desfiles, a música carnavalesca também se transformava. A marcha “Abre Alas”, composta por Chiquinha Gonzaga em 1899, tornou-se um marco, inspirando o gênero da marchinha. O samba, com “Pelo Telefone” (1917), começou a ganhar espaço, consolidando-se como o ritmo principal a partir dos anos 1960. Ritmos como o afoxé, frevo e maracatu também floresceram em diferentes regiões do país, misturando influências africanas e europeias. A primeira escola de samba, Deixa Falar, foi fundada em 1928, e o trio elétrico, um improviso de Dodô e Osmar em 1950, revolucionou a forma de vivenciar o Carnaval, especialmente em Salvador.
Fonte: super.abril.com.br


