USP e INRAe Unem Forças em Piracicaba com Centro Internacional de Saúde Planetária para Desenvolver Soluções Inovadoras Contra Crises Climáticas e Alimentares

Em uma iniciativa estratégica para enfrentar os crescentes desafios das mudanças climáticas e da segurança alimentar global, a Universidade de São Paulo (USP), por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e o Instituto Nacional de Pesquisa em Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAe, da França) anunciam a criação do Planetary Health International Research Center (Phirc). O anúncio integra o calendário comemorativo dos 125 anos da Esalq e posiciona o novo centro transdisciplinar como um catalisador da excelência científica da USP, com forte protagonismo do campus de Piracicaba, e da renomada expertise da instituição francesa.

Visão Integrada para o Futuro

A diretora da Esalq, Thais Vieira, destacou que o Phirc representa uma nova forma de construir conhecimento: integrada, interdisciplinar e internacional. “A segurança alimentar e nutricional, a resiliência dos sistemas agroalimentares, as mudanças climáticas e a saúde das pessoas e do planeta não podem mais ser enfrentadas por instituições ou países isoladamente. Exigem redes de colaboração capazes de integrar competências, disciplinas e diferentes realidades. É nesse contexto que a USP reafirma seu compromisso com a internacionalização e com a construção de conhecimento em escala global”, afirmou a diretora.

O centro inicia suas atividades integrando uma vasta rede de mais de 200 pesquisadores. Essa cooperação internacional tem como objetivo criar uma sinergia única, combinando o estudo de ecossistemas tropicais e temperados para gerar soluções que nenhum dos dois países conseguiria desenvolver isoladamente.

Marco de Colaboração e Lançamento

Para marcar oficialmente o início da parceria, pesquisadores do Brasil e da França estiveram reunidos, entre os dias 6 e 8 de julho, em São Paulo, Pirassununga e Piracicaba. A programação começou com uma reunião institucional na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Em seguida, a comitiva se deslocou para o campus da USP em Pirassununga, onde foi realizada a abertura oficial do escritório do INRAe na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), com a participação da diretora da FZEA, Carmen Silvia Favaro Trindade, e pesquisadores.

No dia 7, brasileiros e franceses concentraram o núcleo deliberativo e científico do evento no Edifício Central da Esalq, em Piracicaba. O reitor da USP, Aluísio Segurado, ressaltou a importância do ecossistema, que atuará na linha de frente de um dos principais desafios do mundo atual. “O Centro Internacional de Pesquisa em Saúde Planetária busca tratar de um dos mais importantes desafios do mundo contemporâneo, que é a produção de alimentos e as suas consequências para um mundo sustentável e saudável”, declarou Segurado.

Para o reitor, parcerias dessa natureza contribuem significativamente para a missão da USP de difundir pesquisa, ciência e gerar inovação. Em Piracicaba, também ocorreu a inauguração oficial do escritório do INRAe na Esalq. Durante a programação, representantes da USP e do instituto francês apresentaram os programas de pesquisa científica dos cinco pilares fundamentais do Phirc e realizaram a primeira reunião do Conselho de Administração, discutindo o plano de gestão, oportunidades de fomento e o plano de ação científica para os próximos 12 meses.

Aliança Estratégica e Metas Científicas

O presidente do INRAe, Philippe Mauguin, expressou que a instalação do Phirc representa a continuidade de uma rica cooperação científica entre os dois países. “Estamos buscando encontrar soluções para que a agricultura e a alimentação possam se adaptar às mudanças climáticas e preservar melhor a biodiversidade”, disse Mauguin.

A diretora de pesquisa do INRAe e coordenadora do Phirc no lado francês, Anne-Nathalie Volkoff, enfatizou a importância da união de pesquisadores. “Na França e no Brasil, temos os mesmos problemas e os mesmos objetivos de melhorar a saúde planetária e as competências e as expertises e as tecnologias dos dois países são muito complementares. Portanto, o fato de estarmos juntos vai ampliar o impacto da pesquisa produzida no âmbito do centro”, avaliou. Nathalie reforçou que, no curto prazo, o Phirc terá como objetivo desenvolver projetos que produzam estratégias de proteção de plantas, para nutrição humana e para a agricultura digital.

Na USP, a coordenação do Phirc está a cargo do professor Fernando Cônsoli, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq. Cônsoli explicou que o grupo de cientistas se concentrará em atividades de saúde planetária, com foco na produção de soluções orientadas aos problemas da sociedade. “Compomos um grupo com mais de 210 pesquisadores de ambas as instituições, organizados em cinco pilares para o desenvolvimento de projetos específicos”, detalhou. O grande desafio, segundo Cônsoli, será enfrentar as dificuldades provenientes do processo acelerado de mudanças climáticas, buscando produzir conhecimento que possibilite qualificar a produção de alimentos, respeitando a saúde humana e a biodiversidade dos ecossistemas naturais, e promovendo uma melhor distribuição de alimentos em prol da equidade nutricional.

Impacto Transformador e Políticas Públicas

O Phirc nasce em um cenário crítico, com projeções indicando que a temperatura global deve ultrapassar 1,5º C acima dos níveis pré-industriais até 2028, o que pode provocar uma queda de 14% na produção agrícola mundial até 2050 e custos ambientais estimados em US$ 28,6 trilhões até o meio do século. Para frear essa crise, o centro adotará a abordagem da Saúde Planetária, que conecta diretamente a saúde humana à integridade dos ecossistemas da Terra.

Com um plano de ação robusto para os primeiros cinco anos, o Phirc prevê a realização de intercâmbios de curto prazo para pesquisadores e estudantes de pós-graduação das duas nações. A partir de 2027, serão implementadas bolsas de pós-doutorado e submissões de projetos conjuntos para grandes fundos internacionais. A meta é atingir mais de 20 publicações de alto impacto e a formação de pelo menos 15 jovens cientistas nesse período inicial.

O plano de gestão do Phirc sinaliza que o novo centro proporcionará impactos muito além dos laboratórios. Em âmbito econômico e de inovação, o ecossistema atuará na criação de novas frentes de emprego no mercado verde, como biodefensivos e robótica, e na agregação de valor por meio da economia circular. No que se refere aos aspectos relacionados ao ambiente e à saúde, propõe a redução da pegada de carbono no campo, a diminuição do uso de pesticidas e a otimização dos recursos hídricos. Pretende, ainda, refletir na formulação de políticas públicas a partir da geração de dados científicos para apoiar tomadas de decisão governamentais sobre rotulagem de alimentos, subsídios e agricultura sustentável.

A programação em Piracicaba foi finalizada com uma agenda de visitas técnicas a laboratórios estratégicos da Esalq, consolidando o início das atividades desse promissor centro de pesquisa.

Fonte: jornal.usp.br

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