Trump, Musk e cia. estão obcecados por testes de QI – mas pelos motivos errados

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"title": "De Trump a Musk: A Obsessão por Testes de QI no Vale do Silício e Seus Perigos Eugênicos",
"subtitle": "Figurões da tecnologia e da política veem a inteligência como um traço genético a ser selecionado, ignorando a complexidade humana e o papel crucial da educação.",
"content_html": "<h3>A Retórica do "Baixo QI" e a Nova Onda Tecnológica</h3>n<p>A expressão “baixo QI” tornou-se uma arma retórica favorita de Donald Trump para desqualificar adversários políticos e até populações inteiras. No entanto, essa fixação em testes de inteligência não se restringe ao ex-presidente. Um número crescente de bilionônarios do Vale do Silício também demonstra uma crescente obsessão por avaliações de QI, buscando nelas uma suposta certeza sobre a capacidade intelectual.</p>nn<h3>Testes de QI: Ferramenta Útil ou Indicador Limitado?</h3>n<p>Criados há mais de um século, os testes cognitivos buscam medir a inteligência, mas enfrentam limitações significativas. Mesmo com atualizações constantes, eles falham em detectar habilidades emocionais e cinestésicas. Contudo, em contextos específicos, os testes podem ser úteis para identificar deficiências intelectuais, necessidades educacionais ou para auxiliar superdotados em sua jornada de autoconhecimento.</p>nn<h3>A Supervalorização no Vale do Silício: Admissões Escolares, Contratações e Até Cupidos Intelectuais</h3>n<p>No Vale do Silício, a aplicação de testes de QI tem se tornado indiscriminada. Escolas de elite da região incluem o resultado em seus processos de admissão, e empresas já foram flagradas utilizando a pontuação para contratar funcionários. O mercado para essa avaliação se expandiu para além do profissional: há quem cobre centenas de milhares de dólares para ser um "cupido intelectual" para CEOs em busca de parceiros com alto QI.</p>nn<h3>Eugenia Genética: Selecionando Bebês Superdotados e o Legado Perigoso</h3>n<p>O fenômeno mais preocupante é o surgimento de startups que, através de análises genéticas, prometem prever a probabilidade de bebês nascerem com alto QI. Por valores que chegam a US$ 50 mil, é possível realizar o teste e, a partir dele, selecionar quais embriões fertilizar in vitro. Essa prática ecoa crenças perigosas de figuras como William Shockley, que defendia a restrição reprodutiva de pessoas com baixo QI, e encontra apoio em investidores como Peter Thiel e na visão de Elon Musk de que "pessoas brilhantes" devem ter mais descendentes.</p>nn<h3>A Urgência de Soluções Coletivas e a Influência Ambiental</h3>n<p>Em vez de buscar soluções individuais e geneticamente selecionadas, o Vale do Silício deveria focar em universalizar um ensino de qualidade. O ambiente e a educação têm um impacto tão ou mais significativo na inteligência quanto a genética. A busca por "bebês superdotados" ignora a complexidade do desenvolvimento humano e corre o risco de descambar para a eugenia, a crença em uma suposta superioridade de certos traços humanos. A verdadeira inteligência, muitas vezes, não precisa de um teste para ser reconhecida.</p>"
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Fonte: super.abril.com.br

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