Terapia CAR-T: Estudo Inovador no Brasil Amplia Tratamento para Lúpus e Miastenia Gravis com Parceria de USP e Butantan

Terapia CAR-T: Estudo Inovador no Brasil Amplia Tratamento para Lúpus e Miastenia Gravis com Parceria de USP e Butantan

Acordo entre USP, Instituto Butantan, Hemocentro de Ribeirão Preto e Fapesp impulsiona pesquisa de terapias avançadas para doenças autoimunes graves, visando a disponibilidade via SUS.

O Brasil avança significativamente no campo das terapias avançadas com a ampliação dos estudos da terapia celular CAR-T para o tratamento de doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistêmico (LES) e a miastenia gravis generalizada (MGg). Nesta quarta-feira, dia 17 de junho, a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) firmaram um acordo de cooperação que promete revolucionar o combate a essas condições.

A Parceria Estratégica para a Saúde

A iniciativa reúne algumas das mais importantes instituições de pesquisa e saúde do país, com o objetivo de desenvolver terapias que possam ser acessíveis à população brasileira, inclusive por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O reitor da USP, Aluisio Segurado, destacou a importância da pesquisa nacional: “É muito bom ver que as pesquisas continuam avançando e, além dos resultados obtidos no tratamento das neoplasias hematológicas, estamos avaliando também o seu potencial uso para tratamento de doenças autoimunes. […] Esta é a missão da USP e de todas as universidades públicas: gerar conhecimento transformador e inovador e traduzi-lo em ações que beneficiam a vida das pessoas”.

Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan, ressaltou o impacto da terapia celular: “A terapia celular é um tratamento que tem revolucionado o combate ao câncer e às condições crônicas e autoimunes, pois age diretamente nas células afetadas por essas doenças. O objetivo da parceria é permitir que, futuramente, essa tecnologia avançada esteja disponível para os brasileiros, inclusive através do SUS. É missão do Instituto Butantan propor soluções para a saúde pública do Brasil”.

O Potencial Transformador e a Soberania Nacional

Os ensaios clínicos com a terapia CAR-T para LES e MGg seguirão as etapas regulatórias e serão submetidos à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Rodrigo Calado, diretor-presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, enfatizou o papel do Brasil como protagonista: “Com esses estudos, damos mais um passo para consolidar o Brasil como protagonista no desenvolvimento de terapias celulares avançadas. Fazemos isso a partir de uma universidade pública, de um hospital público, de um hemocentro público e de instituições brasileiras comprometidas com a ciência, a inovação e o acesso”.

Para Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp, a colaboração é fundamental para a autonomia científica do país. “É muito bom testemunharmos o momento em que as principais instituições de biotecnologia do Estado de São Paulo firmam um acordo, com objetivos claros, para fazer progredir a ciência e a tecnologia aplicada em benefício da população. São essas instituições de pesquisa que criam condições para o desenvolvimento permanente e não depender, exclusivamente, das tecnologias compradas e transferidas. Essa capacidade de fazer e desenvolver conhecimento é fundamental”, afirmou Zago.

Lúpus e Miastenia Gravis: As Novas Fronteiras

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória crônica autoimune que pode afetar diversos órgãos, manifestando-se com sintomas como febre, perda de peso e fraqueza. Já a miastenia gravis generalizada é uma condição autoimune que compromete a comunicação nervo-músculo, resultando em fraqueza muscular que pode dificultar a fala, a deglutição e a respiração.

Os estudos clínicos planejados pretendem recrutar 16 pacientes adultos com lúpus e 10 pacientes adultos com miastenia gravis. Os voluntários serão selecionados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (HC), em São Paulo. Serão incluídos pacientes com doença grave que não obtiveram resposta adequada a pelo menos dois tipos de tratamento convencional.

Entenda a Terapia Celular CAR-T

A terapia celular CAR-T, resultado de mais de 60 anos de estudos científicos e surgida nos Estados Unidos em 2010, envolve a modificação genética dos linfócitos T (células de defesa) do próprio paciente. Essas células são reprogramadas para expressar um Receptor de Antígeno Quimérico (CAR), tornando-as capazes de identificar e combater células específicas – inicialmente, células tumorais, e agora, com o avanço da pesquisa, células envolvidas em doenças autoimunes.

No Brasil, o Instituto Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a USP têm desenvolvido a terapia CAR-T contra leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não-Hodgkin de células B desde 2022, por meio do Núcleo de Terapias Avançadas (Nutera). Os ensaios clínicos de fase 1, iniciados em 2024, já demonstram resultados promissores, com mais de 87% de eficácia contra casos graves de câncer hematológico. Os primeiros testes em pacientes com leucemia e linfoma no Brasil, iniciados em 2019, já haviam apresentado 80% de eficácia na redução de tumores, abrindo caminho para essa nova fase de aplicação em doenças autoimunes.

Fonte: jornal.usp.br

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