Revista USP 149 Explora a Reinvenção de Tempos e Espaços na Educação e Formação Humana

Revista USP 149 Explora a Reinvenção de Tempos e Espaços na Educação e Formação Humana

A Revista USP, em seu número 149 (abril/maio/junho 2026), lança um olhar aprofundado sobre as dimensões da experiência escolar e a diversidade dos sujeitos no dossiê intitulado “Tempos e Espaços de Formação”. Disponível gratuitamente no Portal de Revistas da USP, a publicação trimestral da Superintendência de Comunicação Social (SCS/USP) reafirma seu compromisso com a democratização do conhecimento e a excelência cultural.

Este número se apresenta como uma continuação e expansão do dossiê “Vida Escolar”, de 2023. No entanto, enquanto a edição anterior abordava o tema de forma indireta, a partir de matrizes teóricas, a Revista USP 149 propõe uma reinvenção ainda mais contundente dos conceitos de tempo e espaço no contexto educacional, desafiando a própria essência da educação, conforme destacado pelos organizadores.

Desvendando a Essência da Educação

Organizado por Katiene Nogueira da Silva e Roni Cleber Dias de Menezes, ambos da Faculdade de Educação da USP, o dossiê “Tempos e Espaços de Formação” transcende a ideia de tempo e espaço como meros recipientes passivos da ação pedagógica. Eles são interrogados como elementos ativos e estruturantes que moldam as práticas de ensino, determinam os ritmos de aprendizado e, fundamentalmente, influenciam a constituição do sujeito.

A apresentação do dossiê, assinada por Jurandir Renovato, ressalta que questionar esses elementos é um ato de reflexão radical sobre a educação em suas dimensões histórica, institucional e subjetiva. A modernidade, entre os séculos XVI e XVIII, redesenhou a percepção temporal, estabelecendo um novo regime que distinguia o “espaço de experiência” (o passado acumulado) do “horizonte de expectativa” (o futuro indeterminado), como analisado por Reinhart Koselleck. O futuro, então, deixou de ser uma repetição cíclica para se tornar um campo de possibilidades a ser planejado e moldado pela ação humana, um conceito que permeia as discussões do volume.

Múltiplas Perspectivas na Formação

Os artigos do dossiê utilizam instrumentos variados, longe dos mais ortodoxos, como a viagem, a releitura, o relato de vida e até mesmo a literatura de autoajuda, para estender a experiência formativa para além dos limites tradicionais da escola. Entre os destaques, encontram-se:

  • “A viagem e a escrita como experiências do tempo”, de Roni Cleber Dias de Menezes e Ana Laura Godinho Lima, que examina como as viagens de exílio de intelectuais espanhóis afetaram sua percepção do tempo e suas produções escriturárias.
  • “Tempos e espaços de formação na constituição da Universidade de São Paulo: uma incursão na história da instituição pelos relatos de Claude Lévi-Strauss”, de Katiene Nogueira da Silva e José Cláudio Sooma Silva, que explora os anos iniciais da USP sob a ótica do renomado antropólogo.
  • “Reler: transitar entre tempos e obras”, de Denice Barbara Catani, que discute a releitura como um ato formativo e uma forma de resistência em tempos acelerados.
  • “Os livros de autoajuda pedagógica como espaços de formação docente”, de Juliana de Souza Silva e Renata Marcílio Cândido, que analisa a contribuição dessas obras para o conhecimento particular e subjetivo de professores, não necessariamente para qualificação formal.
  • “Reinvenções de tempos e espaços na escola: o que é possível fazer?”, de Rita de Cassia Gallego, Vivian Batista da Silva e Patrícia Aparecida do Amparo, que explora a configuração histórica das categorias de tempo e espaço escolar e apresenta experiências de reinvenção, como o Projeto Clube de Leitura e Escrita da Escola de Aplicação da FEUSP.

Além do Dossiê: Cultura e Arte em Destaque

A Revista USP 149 também oferece, em sua seção “Textos”, uma rica variedade de ensaios. É possível conferir a tradução inédita de Yuho Hisayama sobre as aproximações entre Goethe e Bashô, as instigantes considerações de Élide Valarini Oliver a partir de uma crônica de Clarice Lispector, e as análises de Marcos Lopes sobre poemas da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen.

Na seção “Arte”, Alecsandra Matias de Oliveira explora o conceito de “identidade latino-americana” para discutir a atuação de mulheres negras na arte, cujo repertório se conecta à subjetividade, ao feminino e à colonialidade, como exemplificado na obra “Me gritaron negra”.

Com sua natureza cultural, ensaística e multidisciplinar, a Revista USP continua a ser um padrão de excelência no universo cultural brasileiro, oferecendo a cada volume textos assinados por renomados autores e abordagens que promovem uma maior democratização do conhecimento. Este número 149 é um convite à reflexão profunda sobre como concebemos e vivemos a experiência educacional em suas múltiplas facetas.

Fonte: jornal.usp.br

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