Museus, com suas exigências intrínsecas de preservação e exposição, figuram entre os grandes consumidores de energia. A necessidade de iluminação meticulosamente controlada para proteger obras de arte, climatização rigorosa para conservar acervos valiosos e sistemas que operam com continuidade e sem variações bruscas, transforma a gestão energética dessas instituições em um problema técnico sofisticado, muitas vezes disfarçado de missão cultural. Nesse cenário, a Pinacoteca de São Paulo, um dos mais importantes museus do País, está protagonizando um movimento que ilustra essa complexa realidade.
A Migração da Pinacoteca: Rumo à Gestão Ativa
Fundada em 1905, a Pinacoteca de São Paulo está em processo avançado de migração para o mercado livre de energia. Esta iniciativa representa um passo estratégico fundamental: assumir a gestão ativa do próprio consumo, em vez de simplesmente se submeter à tarifa regulada da distribuidora local. O desafio é considerável, exigindo um profundo conhecimento sobre o perfil de consumo energético do museu, detalhando o que é consumido e em que períodos.
Um Paradigma para Instituições Culturais
Para o professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP em Pirassununga, especialista em energia sustentável, a ação da Pinacoteca não é um feito isolado, mas sim um exemplo a ser seguido. “Deveria ser regra”, afirma Caneppele. Ele ressalta que museus, teatros, bibliotecas e centros culturais em todo o Brasil enfrentam um desafio comum: edificações antigas ou de uso especial, frequentemente com sistemas energéticos subdimensionados ou mal integrados, e sem a estrutura interna necessária para tratar a energia como uma variável estratégica crucial.
Apoio Especializado na “Série Energia”
A discussão sobre a importância da gestão energética em espaços culturais, como a Pinacoteca, é um tema recorrente na “Série Energia”. Este programa é coproduzido pelo professor Caneppele e pelo jornalista Ferraz Junior, da Rádio USP de Ribeirão Preto. O episódio que aborda a Pinacoteca contou com a valiosa colaboração de Rodolfo Yuri de Almeida Fontana, líder de Manutenção na Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC) e mestrando em Engenharia Elétrica na Escola Politécnica da USP (Poli-USP), evidenciando a necessidade de expertise técnica para impulsionar essas transformações.
Fonte: jornal.usp.br
