Ecobiotech, startup da USP em Ribeirão Preto, lança ScorpFem: armadilha sem veneno para monitorar e combater o escorpião-amarelo, principal espécie de risco à saúde pública no Brasil

A startup Ecobiotech, incubada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia, no campus da USP em Ribeirão Preto, acaba de lançar a ScorpFem, uma armadilha profissional destinada à captura e ao monitoramento de escorpiões. O produto, que se destaca por sua tecnologia de ponta e o ‘DNA USP’, foi criado para auxiliar em ações técnicas de controle em residências, condomínios, áreas urbanas e rurais, empresas, indústrias, comércios e outros locais com histórico de avistamento desses aracnídeos.

A Tecnologia Inovadora da ScorpFem

O grande diferencial da ScorpFem reside no seu Bioindutor Atrativo Alimentar ScorpFem, uma formulação exclusiva desenvolvida para estimular o comportamento de forrageamento do escorpião, direcionando-o para a armadilha adesiva. A tecnologia foca especificamente no escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), uma espécie de grande relevância para a saúde pública no Brasil devido à sua toxicidade.

Segundo informações técnicas da Ecobiotech, escorpiões possuem um sistema quimiorreceptor altamente especializado, capaz de detectar compostos químicos a distâncias consideráveis. Para o Tityus serrulatus, testes de campo demonstram que a eficácia das armadilhas pode atingir um raio de até 5 metros lineares dos focos de infestação em áreas externas. Em ambientes internos, fatores como odores competitivos, vibrações, circulação de pessoas e luminosidade podem influenciar esse alcance. Além do atrativo, a ScorpFem integra um abrigo de baixa luminosidade, projetado para se alinhar ao hábito noturno do escorpião-amarelo, facilitando sua entrada na armadilha.

Combate a um Problema de Saúde Pública Crescente

O avanço dos acidentes com escorpiões no Brasil reforça a urgência de estratégias preventivas e de monitoramento contínuo. Dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgados pelo Instituto Butantan, revelam que o país registrou 225.695 casos de picadas por escorpiões em um período recente, respondendo por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos e superando ocorrências envolvendo serpentes e aranhas.

Thaís Maester, diretora de P&D da Ecobiotech e doutora em biotecnologia pela USP, salienta que o escorpião-amarelo se tornou um problema de saúde pública intrinsecamente ligado ao crescimento urbano. “Entulhos, acúmulo de lixo e a presença de baratas, que são o principal alimento da espécie, criam condições favoráveis para a proliferação. Apenas eliminar um animal encontrado não é suficiente. É preciso monitorar a dimensão real da infestação para agir de forma mais eficiente”, afirma Maester.

Vantagens e Aplicações da Armadilha Ecológica

A ScorpFem destaca-se por ser uma solução 100% livre de veneno, tornando-a segura para diversos ambientes, incluindo áreas verdes, jardins, ambientes internos e externos com histórico de avistamento, paredes e muros, ralos, caixas de esgoto e gordura, salas de equipamentos, garagens e depósitos. O produto também pode ser integrado como uma ferramenta eficaz no Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Kits e Benefícios para um Controle Integrado

Os kits da ScorpFem incluem armadilhas com abrigo, sachês do Bioindutor Atrativo Alimentar e refis de cola adesiva de alta retenção. Entre os benefícios apontados pela empresa estão o suporte ao monitoramento técnico, a possibilidade de quantificar a presença e o nível de infestação, a instalação rápida, o descarte simplificado e, crucialmente, a segurança para crianças, pets e o meio ambiente, dada a ausência de veneno.

“Nenhuma ferramenta isolada resolve o problema. O controle do escorpião-amarelo exige um conjunto de medidas integradas. A ScorpFem entra nesse processo como uma ferramenta técnica para captura e monitoramento, permitindo identificar focos e orientar ações mais direcionadas”, conclui Thaís Maester.

Fundada em 2016, a Ecobiotech, instalada no Supera Parque, dedica-se ao desenvolvimento de soluções biotecnológicas inovadoras de baixo impacto ambiental, atuando na prevenção e tratamento de efluentes e no desenvolvimento de bioinsumos e tecnologias para o controle ecológico de pragas.

Fonte: jornal.usp.br

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