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"title": "USP na Vanguarda: Pesquisadores Desenvolvem IA de Baixo Custo para Acelerar Processos Judiciais e Proteger Dados no Brasil",
"subtitle": "Com o projeto LLM4Gov, soluções da Universidade de São Paulo prometem transformar a gestão de fluxos processuais, reduzindo a morosidade e garantindo privacidade em um Judiciário sobrecarregado.",
"content_html": "<p>A morosidade do sistema judiciário brasileiro é um desafio persistente, prolongando injustiças e afetando a vida de milhões. Diante desse cenário, a incorporação da Inteligência Artificial (IA) surge como uma estratégia promissora para agilizar os trâmites processuais. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão na linha de frente dessa inovação, desenvolvendo soluções de IA de baixo custo e alto desempenho, integradas à administração pública e com foco rigoroso na proteção de dados sensíveis.</p>nn<h3>Inteligência Artificial para Desburocratizar a Justiça</h3>n<p>A lentidão nos processos judiciais contribui para que muitos casos sérios demorem anos ou até décadas para serem concluídos. A adoção da IA no Judiciário promete benefícios significativos. Segundo o Relatório sobre o Futuro dos Profissionais 2025, 53% dos trabalhadores em áreas jurídicas, de conformidade e tributária já percebem vantagens com a IA.</p>n<p>Silvio Levcovitz, procurador da Fazenda Nacional e pós-doutorando no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, destaca que muitos tribunais já utilizam IA para gerar relatórios completos de processos. Levcovitz integra a equipe do projeto Desenvolvimento de Grandes Modelos de Língua para Aplicações no Domínio Jurídico, financiado pela Fapesp, que explora a IA na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).</p>nn<h3>LLM4Gov: Inovação e Segurança para o Setor Público</h3>n<p>O trabalho com a PGFN é parte do projeto Agents4Gov, que visa criar um ambiente para o florescimento ético da IA na governança, incluindo o campo jurídico e a educação superior. Em 2024, pesquisadores do projeto publicaram na revista *Artificial Intelligence and Law* resultados sobre o uso da IA na identificação automática de informações em documentos jurídicos, como os do Diário Oficial do Distrito Federal, reduzindo custos de rotulação manual.</p>n<p>A equipe também desenvolveu o LLM4Gov, um Grande Modelo de Linguagem (LLM) premiado em 2025. Essa ferramenta permite ao setor público usar modelos de linguagem avançados de forma segura, econômica e privada, em conformidade com a LGPD e a RGPD. Isso é crucial, pois impede que governos submetam documentos com dados sensíveis a modelos proprietários, garantindo a proteção dos cidadãos.</p>n<p>A IA, ao realizar tarefas em segundos, pode ser responsável pela triagem, classificação e agrupamento de processos jurídicos semelhantes, liberando profissionais para tarefas mais complexas. “Estamos construindo um classificador de matérias. É importante sabermos, de forma rápida e automatizada, quais são as matérias de um processo, pois delas dependerá o direcionamento do fluxo de trabalho”, explica Levcovitz.</p>nn<h3>Superando Desafios e Garantindo a Ética</h3>n<p>Apesar dos benefícios, existem preocupações. O consenso atual é que a IA deve atuar na gestão de fluxos, complementando e não substituindo a cognição do magistrado em casos complexos. A escassez de diretrizes éticas para o uso da IA no direito também é um desafio, tornando a cautela essencial na segurança e proteção dos dados pessoais.</p>n<p>O professor Ricardo Marcacini, do ICMC e coordenador do projeto, aponta que a classificação inicial de novos processos, essencial para determinar o destino de cada petição, ainda era feita manual ou semiautomaticamente. “Se isso é feito de forma lenta ou errada, o processo acaba indo e voltando. Isso é oneroso porque, quanto mais os encaminhamentos demoram, mais aumenta a fila, afetando negativamente o cidadão”, explica.</p>n<p>A aplicação de LLMs automatiza essa análise semântica em larga escala, garantindo que o processo chegue ao setor correto mais rapidamente. “A IA é uma parceira boa para essa tarefa porque os dados são volumosos, a complexidade não é tão alta, a análise é basicamente semântica. Além disso, os benefícios da implementação da IA nesse contexto é algo que o cidadão consegue entender facilmente”, afirma Marcacini. Esses desafios motivam os pesquisadores do Laboratório de Inteligência Computacional (Labic), que focam em aplicações de ferramentas inteligentes em sistemas e políticas públicas.</p>nn<h3>Metodologia e Resultados Concretos</h3>n<p>Para otimizar o treinamento dos modelos, os pesquisadores utilizam técnicas como LoRA (Low-Rank Adaptation) e quantização. LoRA adiciona pequenas matrizes auxiliares que são as únicas a serem treinadas, congelando os pesos originais do modelo e facilitando os cálculos. Já a quantização reduz a precisão numérica dos pesos do modelo para economizar memória, comprimindo valores de 32 ou 16 bits para apenas 4 bits por parâmetro, otimizando significativamente o processamento.</p>n<p>Após esse treinamento, o LLM recém-desenvolvido é testado na classificação de documentos jurídicos. Os pesquisadores do Labic confirmaram que é possível obter alto desempenho, mantendo a conformidade com as leis de proteção de dados e operando apenas em infraestruturas locais, garantindo a segurança e anonimização dos dados. O LLM4Gov é uma solução eficaz para a transformação digital do governo brasileiro, promovendo transparência e eficiência.</p>nn<p>A alta demanda do Judiciário brasileiro é inegável. O Relatório Justiça em Números 2025 aponta 80,6 milhões de processos pendentes em dezembro de 2024, o que equivale a um processo para cada três brasileiros, com tempo médio de tramitação de quatro anos. Essa realidade, somada à desigualdade social que impede cerca de 25% dos brasileiros de ter acesso efetivo à justiça e ao "uso predatório da justiça" por empresas, evidencia a urgência por soluções inovadoras. A IA desenvolvida pela USP representa um passo crucial para um sistema judiciário mais justo, ágil e acessível.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br
