Pesquisadora Angolana Teresa Luzembo Conquista Mestrado Pioneiro na USP e Impulsiona Ciência Contra Malária em Marco Histórico Brasil-Angola

Pesquisadora Angolana Teresa Luzembo Conquista Mestrado Pioneiro na USP e Impulsiona Ciência Contra Malária em Marco Histórico Brasil-Angola

A defesa da tese na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto celebra a primeira graduada pelo Acordo USP-Angola, abrindo novas fronteiras na cooperação acadêmica e pesquisa em saúde global.

Teresa Luzembo, uma cientista biomédica angolana, fez história ao se tornar a primeira pesquisadora a obter um título de mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) sob o Acordo USP-Angola. Sua defesa de tese na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) é um marco significativo na cooperação acadêmica entre Brasil e Angola, promovendo o intercâmbio de conhecimento e o desenvolvimento científico.

Como parte do primeiro grupo de bolsistas a chegar ao Brasil, Teresa dedicou-se integralmente à pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da FMRP, sob a orientação do professor Fausto Bruno dos Reis Almeida. Recentemente, ela defendeu com sucesso sua dissertação, intitulada “Perfil de Nanopartículas Séricas na Malária e Sua Associação com Grupos Sanguíneos ABO e Variabilidade Clínica”, consolidando sua formação e o pioneirismo do programa.

“Ser a primeira estudante do Acordo USP-Angola a chegar ao Brasil, concluir e defender uma tese de mestrado representa não apenas uma conquista pessoal, mas também um marco na cooperação acadêmica entre nossos dois países. Espero que esta realização inspire outros estudantes angolanos a acreditar em seu potencial”, declarou Teresa Luzembo, ressaltando a importância de seu pioneirismo.

Um Impulso para a Pesquisa Global em Saúde

O professor Fausto Almeida, orientador de Teresa e membro do Departamento de Bioquímica e Imunologia da FMRP, destacou o impacto da diversidade de experiências no grupo de pesquisa. “Ter alguém que vivencia a realidade da malária em primeira mão ajuda a ampliar nossa compreensão dos desafios clínicos, epidemiológicos e sociais associados à doença. Isso torna todas as nossas discussões científicas mais ricas e conectadas às necessidades da população”, explicou Almeida.

A pesquisa de Teresa Luzembo possui relevância direta para Angola e outras nações tropicais. A malária continua sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em Angola, afetando especialmente crianças e gestantes. O estudo investigou a associação entre nanopartículas séricas — estruturas microscópicas que funcionam como mensageiros biológicos no sangue — e a gravidade da malária, considerando fatores como grupo sanguíneo ABO, sexo e estado gestacional.

As análises de amostras de soro sanguíneo de pacientes com malária e indivíduos saudáveis revelaram que o perfil dessas nanopartículas varia entre os grupos e pode correlacionar-se com o tipo sanguíneo ABO. Este achado reforça a evidência de que o grupo sanguíneo pode conferir certo grau de proteção contra as formas mais graves da doença. Os resultados abrem caminho para o desenvolvimento de biomarcadores que permitam identificar precocemente pacientes com maior risco de complicações, uma ferramenta de grande valor para o sistema de saúde angolano.

A Jornada Pessoal e Aspirações Futuras

Mãe de duas filhas, Teresa Luzembo vê sua família como a principal motivação para superar os desafios de estudar no exterior. “Desde o início, recebi apoio e encorajamento da minha família, que compreendeu a importância desta oportunidade para o meu crescimento profissional e pessoal”, compartilhou. Seu interesse em doenças infecciosas e saúde pública, áreas cruciais para Angola, foi o que a impulsionou a buscar o mestrado na FMRP.

Sobre seus próximos passos, Teresa demonstra o mesmo senso de propósito: retornar a Angola com não apenas seu diploma, mas também o conhecimento e a perspectiva científica desenvolvidos na USP. “Acredito que a cooperação internacional é essencial para o avanço da ciência. Pretendo manter parcerias com pesquisadores brasileiros, desenvolver projetos conjuntos e contribuir para a construção de redes científicas entre Angola e Brasil”, afirmou. Admitida no programa de doutorado, Teresa continuará sua formação científica na USP, aprofundando ainda mais suas contribuições.

O Acordo USP-Angola: Fortalecendo Laços e Conhecimento

O Acordo USP-Angola, assinado em fevereiro de 2024, é fruto de uma parceria estratégica entre a USP e o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola. Seu objetivo é oferecer bolsas de estudo para a formação de pós-graduação de docentes e pesquisadores angolanos.

A iniciativa faz parte do Projeto de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, implementado pelo Ministério angolano e financiado por um empréstimo de US$ 90 milhões do Banco Africano de Desenvolvimento. O projeto visa diversificar a economia de Angola por meio da inovação científica e tecnológica, fortalecendo a pós-graduação, a pesquisa e as redes de pesquisa internacionais.

O acordo abriu as portas da USP para 128 bolsistas angolanos: 10 pós-doutorandos, 65 doutorandos e 53 mestrandos, todos com bolsas financiadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento. Os estudantes passaram por um rigoroso processo de seleção acadêmica e foram distribuídos em diversas áreas do conhecimento.

“Este programa é de grande importância estratégica para a consolidação de uma Rede Sul-Sul. O governo angolano tem investido na formação de seus novos pesquisadores, valendo-se da excelência dos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado oferecidos pelas unidades da USP em uma ampla gama de disciplinas. Brasil e Angola têm muito a ganhar com este programa”, enfatizou Carlos Eduardo Ambrósio, pró-reitor de Pós-Graduação da USP. Este acordo se destaca como uma das mais significativas iniciativas de internacionalização da USP, com foco estratégico na educação avançada e no impacto transformador para ambos os países.

Fonte: jornal.usp.br

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