Pesquisa da USP Revela Como Atendimento Respeitoso no Disque 190 Pode Fortalecer a Confiança Cidadã na Polícia Militar de São Paulo
Estudo inédito da Escola de Segurança Multidimensional busca aprimorar a relação entre a corporação e o público por meio da teoria da justiça procedimental.
A confiança da população na Polícia Militar é um pilar fundamental para a segurança pública e a colaboração cidadã. Reconhecendo a importância dessa relação, uma pesquisa inovadora da Universidade de São Paulo (USP) está avaliando como a qualidade do atendimento no Disque 190 – o canal de emergência da Polícia Militar – influencia diretamente a percepção e a legitimidade da corporação aos olhos dos cidadãos.
A Teoria por Trás da Confiança
Intitulada “Justiça Procedimental no Centro de Operações da Polícia Militar de São Paulo (Copom/SP)”, a pesquisa é conduzida pela Escola de Segurança Multidimensional (Esem), do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP. Lançada em fevereiro, a iniciativa visa aprimorar a interação entre a polícia e o público que busca auxílio pelo 190.
Segundo o pesquisador Thiago Oliveira, da University of Manchester, a “autorregulação” – a decisão de não se engajar em comportamentos ilícitos – pode ser explicada por dois motivos principais: o cálculo racional de custo-sanção ou a percepção psicossocial da legitimidade das leis. É neste segundo ponto que a justiça procedimental se destaca. Estudos internacionais, citados por Oliveira, apontam que a forma como as autoridades encorajam a autorregulação está ligada à percepção de justiça nos procedimentos.
O Impacto da Justiça Procedimental
A teoria da justiça procedimental sugere que procedimentos vistos como justos, transparentes, imparciais e que consideram a “voz” dos cidadãos, além de interações respeitosas e tratamento digno, aumentam a legitimidade das instituições policiais. Para a coordenadora do estudo, Tânia Pinc, pesquisadora da Esem-USP, a justiça procedimental adiciona uma dimensão crucial ao trabalho policial, diferenciando o tratamento do cidadão comum daquele dispensado ao suspeito, priorizando processos equitativos e transparentes, independentemente do resultado final da ocorrência.
A Parceria Estratégica e os Desafios
O projeto é fruto de uma parceria entre a Esem-USP e o Copom/SP, comandado pelo coronel Carlos Marques. O coronel reconhece que, apesar da redução de crimes e da melhoria da produtividade, a confiança da população na polícia “continua baixa”. Somente em 2024, o Copom-SP recebeu mais de 11 milhões de ligações, registrou 3,4 milhões de ocorrências e realizou 1,2 milhão de orientações, além de 212 desengasgamentos de bebês por telefone. O objetivo da pesquisa é fortalecer essa confiança e aprimorar a relação entre cidadãos e policiais militares por meio de treinamentos específicos.
Resultados Esperados e o Futuro do Atendimento 190
A pesquisa é desenvolvida pelo Núcleo de Pesquisa Orientada a Problemas em São Paulo (NPOP-SP), com apoio da Fapesp e em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV Analytics). Espera-se que os resultados incluam a melhoria no desempenho de atendentes, despachadores e supervisores do 190 após o treinamento. Além disso, busca-se aprimorar a percepção do cidadão sobre a justiça procedimental e a legitimidade na interação com o serviço, a criação de um indicador de desempenho não criminal baseado na percepção do cidadão, e a melhoria da percepção de patrulheiros, atendentes e despachadores sobre o tratamento que recebem. A iniciativa representa um passo significativo para construir uma relação mais sólida e confiável entre a Polícia Militar e a sociedade.
Fonte: jornal.usp.br
