A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP se torna palco nesta sexta-feira, 27 de março, de um importante debate sobre o ativismo transmasculino. A mesa, parte do evento mensal “Sexta do Mês”, abordará o tema “Do ENAHT à marcha transmasculina: ocupar as ruas, criar mundos e saberes”, promovendo um diálogo crucial entre a academia e o movimento social. O encontro, aberto a todos os públicos e transmitido ao vivo pelo canal da FFLCH no YouTube, acontece às vésperas da 3ª Marcha Transmasculina, marcada para o próximo domingo, 29, em São Paulo, configurando-se como um momento estratégico de mobilização e articulação.
Organizada por discentes do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da FFLCH desde 2017, a “Sexta do Mês” tem sido um espaço vital para a discussão de temas relevantes. Nesta edição, a proposta, idealizada por Francisco das Águas Borges e articulada com Morgan Caetano e Jackson Cruz Magalhães, também discentes do PPGAS, busca revisitar a experiência do Encontro Nacional de Homens Trans e Pessoas Transmasculinas (ENAHT) e seu impacto na construção do movimento.
O Legado do ENAHT e a Articulação Acadêmica
O Encontro Nacional de Homens Trans e Pessoas Transmasculinas (ENAHT) teve sua primeira edição em 2015, também na USP, e é considerado um marco fundamental para a articulação política e a produção de saberes no campo das transmasculinidades. Organizado pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat), o ENAHT reuniu mais de cem pessoas transmasculinas e não binárias de diversas regiões do Brasil, contando com a presença de ativistas de destaque como Sílvio Lúcio, Rai Carlos, João Nery, Leo Moreira Sá, Alexandre Peixe, Leo Paulino e Luck Banke.
A mesa da FFLCH reunirá pesquisadores e ativistas transmasculinos para aprofundar a relação entre o pensamento transmasculino e não binário e a Universidade. Serão discutidas as repercussões e a rememoração das figuras presentes no primeiro ENAHT, os processos de autodenominação, a histórica presença de transmasculinidades negras na organização do movimento social, bem como as experimentações corporais e territoriais que emergem das transmasculinidades.
Perguntas que Movem o Debate
Para guiar as discussões, a mesa propõe perguntas instigantes que buscam explorar as motivações e as construções sociais do movimento. Entre elas, destacam-se: “Por que corpos transmasculinos e não binários vão às ruas e que saberes e mundos fabulam?” e “Como se intercalam regimes de invisibilidade e de vigilância em transmasculidades negras?”. Essas questões visam aprofundar a compreensão sobre as complexidades e as potências do ativismo transmasculino e não binário.
A Marcha Transmasculina: Um Marco de Visibilidade
A atividade na USP antecede a 3ª Marcha Transmasculina, um evento de importância crescente no cenário nacional e internacional. Anualmente organizada pelo Ibrat, a marcha tem atraído participantes de diversas partes do Brasil e do mundo para São Paulo, consolidando-se como um momento crucial para dar visibilidade a homens trans e pessoas não binárias. Para especialistas em gênero, a marcha representa um avanço na luta por direitos e na conscientização sobre a realidade de violências e subnotificações que ainda afetam essa população, buscando a superação do preconceito estrutural e a valorização de diversas identidades.
Fonte: jornal.usp.br
