PeNSE 2024 do IBGE: Dados de Saúde de Estudantes Revelam Aumento da Violência Sexual e Preocupação com Cigarros Eletrônicos

A quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em colaboração com os Ministérios da Saúde e Educação, lança luz sobre a saúde de adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos. Os dados coletados são fundamentais para a formulação e aprimoramento de políticas públicas, conforme destacado por especialistas.

A PeNSE é uma ferramenta essencial para dimensionar fatores de risco e proteção, abordando uma visão plural da saúde que vai além do aspecto biológico. “Não é só a saúde do ponto de vista biológico ou de uma doença instalada, mas também aspectos que podem interferir ou produzir estados relacionados à saúde também. Como saúde mental, a questão da violência fora e dentro da escola, saúde sexual e reprodutiva. Ela é uma pesquisa bem completa”, explica a professora Luciane Sá de Andrade, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP.

PeNSE 2024: Um Retrato Abrangente da Saúde Escolar

O objetivo da pesquisa é coletar dados sobre frequência e distribuição de fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, saúde mental, vacinação, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), e questões de conflito e violência no ambiente escolar e familiar. Os resultados da PeNSE orientam diretamente o desenvolvimento de políticas públicas, com foco especial no Programa Saúde na Escola (PSE), que integra as áreas de educação e saúde. A interligação é vital, pois “melhores níveis de educação possibilitam às pessoas maior acesso e melhores condições de saúde”, aponta Luciane Sá de Andrade.

Metodologia Inovadora Garante Dados Fidedignos

A PeNSE utiliza uma metodologia amostral autoaplicável, onde os estudantes respondem a um questionário em smartphones, garantindo maior fidedignidade em temas sensíveis. “Essa é uma boa estratégia, porque têm questões muito sensíveis e de comportamento e de hábitos que é muito difícil você perguntar para uma pessoa e ter uma resposta fidedigna”, explica a professora Zilda Pereira da Silva, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP. A pesquisa assegura total sigilo e privacidade dos dados, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e obtendo aprovação ética. Além dos alunos, gestores escolares também respondem a questionários para caracterizar o ambiente educacional.

Desafios Preocupantes Revelados pela Pesquisa

Os dados da PeNSE 2024 revelam cenários alarmantes:

  • Violência Sexual: 18,5% dos escolares relataram ter sofrido alguma forma de violência sexual (toque, manipulação, beijo ou exposição de partes do corpo contra a vontade) alguma vez na vida. O dado é ainda mais preocupante entre as meninas, atingindo 26%, contra 10% dos meninos, e representa um aumento de quase quatro pontos percentuais em relação a 2019. “Isso também mostra um problema da nossa sociedade, é muito importante e tem que ser enfrentado”, comenta a professora Zilda.
  • Insegurança no Trajeto Escolar: Cerca de 12,5% dos estudantes (equivalente a 1,5 milhão de adolescentes) deixaram de ir à escola nos 30 dias anteriores à pesquisa devido à falta de segurança no trajeto entre casa e instituição de ensino.
  • Cigarros Eletrônicos: A experimentação de cigarros eletrônicos (vape, pod, e-cigarettes) atingiu 29,6% dos estudantes em 2024, um número que exige atenção urgente.

Ações Necessárias para Proteger Adolescentes

Diante desses desafios, os especialistas ressaltam a necessidade de ações coordenadas. Para combater o consumo de cigarros eletrônicos, a professora Luciane Sá de Andrade sugere uma campanha multimodal, que vá além das palestras, envolvendo metodologias ativas com os próprios adolescentes e utilizando a comunicação digital para alertar e informar. “A comunicação em massa e digital pode ser feita no sentido de alertar, de trazer informações sobre isso também, além da escola”, afirma.

A integração entre diferentes setores da sociedade é crucial para o desenvolvimento e reformulação de políticas públicas. A universidade, por exemplo, pode colaborar no desenho dessas políticas e por meio de ações de extensão junto a escolas, Secretarias de Saúde e Ministérios. A PeNSE, ao oferecer um retrato fiel da realidade dos jovens, fornece os elementos necessários para construir um futuro mais saudável e seguro para a juventude brasileira.

Fonte: jornal.usp.br

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