Padrões e Variações: Livro da Edusp Desvenda a Revolução das Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora, de 1932 a 1962

Uma vasta pesquisa sobre a Livraria José Olympio Editora, uma das mais influentes casas editoriais do Brasil no século 20, culminou no lançamento do livro Padrões e Variações – Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora, 1932-1962. A obra, publicada pela Editora da USP (Edusp), será lançada na próxima quarta-feira, dia 8 de novembro, às 17 horas, na Livraria João Alexandre Barbosa, localizada na Cidade Universitária, em São Paulo.

De autoria de Carla Fernanda Fontana, formada em Editoração pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e doutora em Design pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da mesma universidade, o livro é fruto de sua tese de doutorado defendida em 2021. Ele explora a trajetória editorial da José Olympio, com foco nas decisões gráficas que definiram sua identidade ao longo de três décadas.

Desvendando a Identidade Visual da José Olympio

O livro de Carla Fontana mergulha na linguagem gráfica da editora, analisando as capas de obras traduzidas, as diversas coleções e os livros ilustrados. Um dos pontos centrais da pesquisa é o papel dos artistas gráficos que deixaram sua marca na empresa, como Santa Rosa (1909-1956), Luis Jardim (1901-1987) e Raul Brito. A autora destaca que a análise dos livros da José Olympio é feita “do ponto de vista de seu projeto visual e em relação com o meio editorial de então, estabelecendo conexões entre obras, escritores, artistas gráficos e outros fatores envolvidos no funcionamento da editora”.

Fundada em 1931, em São Paulo, pelo livreiro e editor José Olympio (1902-1990), a editora homônima foi um pilar do mercado editorial brasileiro até a década de 1970, quando enfrentou uma crise financeira. Em 2001, foi adquirida pelo Grupo Editorial Record, que hoje a mantém como um importante selo editorial.

Do Integralismo à Literatura Brasileira: A Evolução do Catálogo

Os primeiros anos da José Olympio (1932-1934) foram marcados pela ausência de projetos artísticos de capa. A primeira obra com capa ilustrada foi Itararé! Itararé!, de Honório de Sylos, em 1933, com arte de Marianno Badenes. Nesse período, o escritor e político Humberto de Campos despontou como o autor mais vendido, e as obras integralistas constituíam o embrião do catálogo. A partir de 1934, a editora começou a consolidar seu perfil na literatura contemporânea brasileira.

Santa Rosa foi o primeiro grande artista a imprimir uma identidade visual marcante, utilizando luz e sombra e cores de fundo que emolduravam as informações do livro. Esse estilo se tornou um padrão para romances e contos brasileiros, especialmente nas edições de José Lins do Rego e Jorge Amado. Carla Fontana observa que, embora os designs de Santa Rosa fossem considerados a “cara da literatura brasileira”, eles apresentavam semelhanças visuais com as capas da editora francesa Librairie Stock, pela qual o artista nutria admiração.

A Renovação dos Anos 40 e a Diversidade Gráfica

Na década de 1940, José Olympio expressou preocupação com o declínio do interesse pela literatura e buscou renovar o catálogo, seguindo o conselho de Jorge Amado de focar no público feminino. Surgiram coleções como O Romance da Vida (biografias), A Ciência de Hoje (divulgação científica) e Grandes Romances para a Mulher.

Além de Santa Rosa, que já era reconhecido, Luis Jardim e Raul Brito se destacaram nos projetos gráficos dessas novas coleções. Raul Brito consolidou seu trabalho com a bem-sucedida coleção Fogos Cruzados, caracterizada por fontes rebuscadas e cores pastéis. Luis Jardim, por sua vez, privilegiava desenhos a traço e composições centralizadas, diferenciando-se de Santa Rosa pela escolha de retratar paisagens e pela criação de “resumos ilustrados” em mosaico para obras de João Guimarães Rosa.

A partir dos anos 40, a José Olympio inverteu a proporção de publicações, priorizando obras traduzidas para diversificar o catálogo. Essa mudança refletiu nos projetos de capa, que passaram de um padrão mais sóbrio e contido para um visual mais colorido e ilustrado, impulsionado pela atuação de diferentes artistas gráficos.

O Impacto das Ilustrações e a Multiplicidade Artística

Entre 1934 e 1962, a José Olympio publicou cerca de 150 livros ilustrados. Inicialmente, as ilustrações eram predominantes em livros infantis, tanto originais quanto traduzidos. Houve um hiato na produção infantil nos anos 1950, substituída por textos religiosos, até o retorno em 1960 com a arte de Luis Jardim. A partir de 1940, o investimento em ilustrações se intensificou em livros traduzidos, como as obras de Dostoiévski. Artistas brasileiros também tiveram seus trabalhos ilustrados, e o renomado Candido Portinari chegou a ilustrar A Mulher Ausente, de Adalgisa Nery.

Carla Fontana conclui que “assim como nos livros da editora podem ser identificados padrões que os perpassam e variações que os distinguem, também nas trajetórias e nos modos de produzir dos artistas gráficos há pontos de aproximação e de distanciamento”. Essa amplitude do catálogo e a convergência e divergência dos artistas resultaram na rica e “visualidade múltipla” da José Olympio.

O livro Padrões e Variações: Artes Gráficas na Livraria José Olympio Editora, 1932-1962, de Carla Fernanda Fontana, é uma publicação da Edusp, com 440 páginas e preço de R$ 144,00. O lançamento, com entrada gratuita, ocorrerá no dia 8 de novembro, às 17 horas, na Livraria João Alexandre Barbosa (Avenida Professor Luciano Gualberto, 78, Cidade Universitária, em São Paulo).

Fonte: jornal.usp.br

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