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"title": "José Goldemberg: A Pesquisa Independente que Desafiou o Poder e Moldou o Futuro da Energia Sustentável no Brasil",
"subtitle": "Desde a crítica ao acordo nuclear militar até a visão sobre biocombustíveis, a trajetória do físico é um farol de lucidez e resiliência na ciência brasileira.",
"content_html": "<h1>José Goldemberg: A Pesquisa Independente que Desafiou o Poder e Moldou o Futuro da Energia Sustentável no Brasil</h1><h2>De crítico do acordo nuclear militar a visionário dos biocombustíveis, a trajetória do físico que previu novas configurações de poder e impulsionou a ciência brasileira.</h2><p>A história de José Goldemberg, físico renomado e incansável pesquisador, é marcada pela independência de pensamento e pela coragem de questionar. Sua influência se estende da academia às políticas públicas, com um legado notável na área das energias sustentáveis. A professora Cremilda Medina, da Escola de Comunicações e Artes da USP, compartilha um testemunho pessoal que ilumina a resiliência e a visão de Goldemberg ao longo das décadas.</p><h3>A Coragem da Crítica em Tempos Sombrios</h3><p>Em 1975, em pleno regime militar, Goldemberg se destacava por sua voz crítica e independente. Naquele ano, ele se opôs veementemente ao acordo de energia nuclear com a Alemanha, que foi selado sem a consulta de especialistas nacionais. Cremilda Medina, então jornalista, reconheceu a relevância do físico e tentou publicar um perfil sobre sua vida e atuação. No entanto, o esforço esbarrou na autocensura da época. As restrições de Goldemberg eram consideradas “subversivas”, e nenhum editor se animou a veicular a reportagem, demonstrando o peso da repressão sobre a imprensa.</p><h3>Um Legado Reafirmado na Redemocratização</h3><p>Onze anos depois, em 1986, o cenário político havia mudado. Com a abertura e a redemocratização, Cremilda Medina, já de volta à USP, teve a oportunidade de reencontrar Goldemberg, então reitor da universidade. Em uma cerimônia em que ele saudava o professor anistiado Sinval Medina, ela finalmente entregou as fotos de passaporte que havia coletado para o perfil recusado. O momento foi de descontração e lembrança daquele período de censura, mas também da reafirmação da importância de Goldemberg, cujo vigor intelectual só crescia.</p><h3>Visão de Futuro: Biocombustíveis e Novas Geopolíticas</h3><p>Nascido em 1928, José Goldemberg consolidou sua reputação não apenas na ciência, mas também na formulação de políticas públicas e na promoção de resultados práticos para o meio ambiente. Em 2009, sua admiração foi reafirmada quando Goldemberg contribuiu com o ensaio "Etanol: energia solar convertida em líquido" para o décimo volume da série "Novo Pacto da Ciência". Nesse texto, ele demonstrava uma lucidez impressionante sobre o futuro energético global:</p><blockquote><p>“Se nós não vamos diminuir o nível do conforto e vamos aumentar o contingente populacional na nossa esfera de conforto, a produção vai aumentar, os combustíveis terão que continuar a ser produzidos e os biocombustíveis, cujo desenvolvimento estratégico parece se concentrar mais no hemisfério sul, talvez pudessem gerar um início de mudança nas concentrações de poder internacional ou mesmo domésticas.”</p></blockquote><p>Goldemberg previu que o desenvolvimento dos biocombustíveis poderia reconfigurar o poder, criando novos grupos de interesse em regiões produtoras, que teriam de negociar com as regiões industrializadas e consumidoras. Essa visão antecipatória, que hoje ressoa com o reconhecimento de prêmios como o Jabuti, destaca sua resistência cultural e liderança ímpar, pontilhando uma história de excelência acadêmica e compromisso com um futuro mais sustentável.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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