Acordo 123: O que ele permite?
O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou a assinatura de um acordo nuclear com a Arábia Saudita, conhecido como “acordo 123”. O documento, com duração prevista de 30 anos, permitirá que empresas americanas forneçam tecnologia e expertise para o desenvolvimento do programa nuclear civil saudita. O acordo agora segue para o Congresso dos EUA para um período de análise obrigatória.
Controvérsias e o “padrão-ouro” de supervisão
A possibilidade de a Arábia Saudita enriquecer combustível nuclear, mesmo que para fins civis, gera preocupações. Críticos argumentam que essa capacidade poderia, teoricamente, levar à criação de armas nucleares. O acordo é visto por alguns como uma flexibilização do “padrão-ouro” de supervisão internacional, pois a Arábia Saudita não assinou o Protocolo Adicional com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), diferentemente dos Emirados Árabes Unidos em um acordo similar de 2009. Os sauditas historicamente resistiram a assinar o protocolo, citando preocupações com inspeções em locais sagrados e palácios reais.
Salvaguardas e o futuro do programa saudita
Em vez do Protocolo Adicional, o acordo prevê um pacto bilateral de salvaguardas, que, segundo autoridades americanas, se assemelha ao modelo, mas sem as cláusulas que desagradaram Riad. O pacto inclui limitações quanto às inspeções no programa saudita, o que pode gerar ceticismo entre legisladores. Antes que o enriquecimento de urânio possa começar, uma equipe conjunta EUA-Arábia Saudita avaliará a justificativa e viabilidade comercial. Os americanos construirão a instalação sem transferir tecnologia sensível, e a Arábia Saudita estará proibida de desenvolver ou adquirir sua própria tecnologia de enriquecimento por uma década.
Benefícios comerciais e estratégicos para os EUA
Defensores do acordo destacam o potencial de gerar uma parceria multibilionária para a indústria nuclear americana, criando empregos e promovendo o crescimento econômico. Além disso, o pacto poderia vincular a Arábia Saudita à tecnologia dos EUA, conferindo a Washington influência contínua sobre as práticas de segurança e não proliferação. A ausência de um acordo com os EUA poderia levar a Arábia Saudita a buscar parcerias com Rússia ou China, concedendo a esses países influência estratégica de longo prazo.
Repercussões regionais e a corrida nuclear
O acordo é acompanhado de perto por outros países da região. Israel, que se acredita possuir armas nucleares, vê com desconfiança o acesso saudita à tecnologia nuclear. O Irã, rival regional, mantém seu programa nuclear apesar das sanções e bombardeios, alegando fins civis. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já declarou que o país buscaria desenvolver uma arma nuclear caso o Irã o faça.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
