De Aluna da USP a Ícone da Poesia: Orides Fontela, Vencedora do Jabuti, Brilha na Flip 2024 com História de Resistência e Crítica

A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que teve início na última quarta-feira, dia 22 de maio, e se estende até este domingo, 26, em Paraty (RJ), celebra a vida e a obra da poeta Orides Fontela (1940-1998). Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Fontela é o nome homenageado deste ano, e sua relevância é destacada por um boletim especial do programa Dica Cultural, da Rádio USP, transmitido no dia 22 de maio.

Orides Fontela: Da USP à Consagração Literária

Reconhecida por sua escrita singular, Orides Fontela conquistou o Prêmio Jabuti em 1983, uma das maiores honrarias do mercado editorial brasileiro, com seu livro de poesia “Alba”. Sua obra foi amplamente elogiada por críticos renomados como Antonio Candido, Davi Arrigucci Júnior e Augusto Massi. Além de “Alba”, a poeta deixou um legado significativo com outras publicações bem-recebidas pela crítica, como “Transposição” (1969), “Helianto” (1973), “Rosácea” (1986), “Trevo” (1988) e “Teia” (1996).

Voz e Memória: A Experiência no Crusp Durante a Ditadura

O boletim Dica Cultural da Rádio USP resgata um trecho de uma entrevista concedida por Fontela em 1996 ao apresentador Jô Soares, no programa Jô Soares Onze e Meia (SBT). Nele, a poeta compartilha memórias vívidas de seus tempos de estudante na USP nos anos 60, período marcado pela ditadura militar. Moradora do Conjunto Residencial da USP (Crusp), a moradia estudantil na Cidade Universitária, Fontela relembrou um episódio marcante: “Eu tinha me mudado para o Crusp em 1968 e, naquele ano, o Crusp foi invadido”, disse, referindo-se à ação da Polícia Militar. “Eu fui presa para triagem, mas por pouquinho tempo.” Essa experiência sublinha não apenas sua trajetória acadêmica, mas também seu envolvimento e a efervescência política da época.

A homenagem a Orides Fontela na Flip 2024 é uma oportunidade de revisitar e celebrar a profundidade e a relevância de sua poesia, que ecoa até os dias de hoje, e de entender o contexto histórico que moldou sua visão de mundo e sua arte.

Fonte: jornal.usp.br

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