Descubra a Fascinante Pluralidade de Luiz Baravelli: Exposição Gratuita na USP Revela Meio Século de Arte Multifacetada

Descubra a Fascinante Pluralidade de Luiz Baravelli: Exposição Gratuita na USP Revela Meio Século de Arte Multifacetada

A mostra ‘Rever Baravelli’, em cartaz no Centro MariAntonia até 26 de julho, convida o público a explorar a diversidade inesgotável de estilos, técnicas e suportes do renomado artista paulista.

Uma imersão na rica e variada produção artística de Luiz Paulo Baravelli, de 84 anos, é o que propõe a exposição Rever Baravelli. Em cartaz no Centro MariAntonia da USP, a mostra reúne cerca de 60 obras que traçam um panorama de mais de meio século da carreira do artista paulista. A curadora Maria Alice Milliet destaca que a pluralidade do trabalho de Baravelli reflete sua recusa em se prender a uma única linguagem, buscando capturar a complexidade e instabilidade da realidade visível.

A Pluralidade que Define Baravelli

As obras de Baravelli desafiam as convenções, extrapolando os limites do quadro tradicional. Exemplo disso é a série Caras, pinturas de grandes dimensões feitas sobre madeira e fixadas diretamente na parede, como A Estrangeira (2016) e Exatidão de Um Menino (2016). A produção mais recente do artista inclui as chamadas “pinturas-gato”, telas de pequena dimensão que, em contraste com as “pinturas-cachorro” (maiores e mais imponentes), são sutis e sedutoras, revelando-se aos poucos ao observador. Um conjunto de 16 dessas pinturas-gato, com técnica mista, está presente na exposição.

A prática de Baravelli transita entre arte e artesania, utilizando uma vasta gama de materiais como madeira, vidro e metal. Ele emprega técnicas de serrar, colar e recortar, operando dentro dos conceitos de ready-made e collage. Peças como o conjunto Krazy Kat, da década de 1970, exibem estruturas que se assemelham a postes abstratos, feitos com espuma de poliuretano, cerâmica, bronze, veludo e ferro. A dupla Grécia 1 e 2 (1972-2019), em madeira natural e metal cromado, e Passagem (1981) são outros exemplos da diversidade material em sua obra.

O Nu Feminino: Um Estudo Profundo

Um dos temas recorrentes na trajetória de Baravelli é o nu feminino, ao qual uma sala inteira da exposição é dedicada. Desde seus tempos no ateliê de Wesley Duke Lee (1931-2010) até hoje, o desenho de observação de modelo vivo tem sido um meio fundamental de conhecimento para o artista. Suas sessões no ateliê resultam em desenhos arquivados que, posteriormente, são ampliados com projetor e transpostos para as telas.

Em 1984, buscando romper com o roteiro pré-estabelecido, Baravelli impôs a si mesmo dois desafios: pintar diretamente na tela, sem desenhos prévios, e utilizar a encáustica, uma técnica milenar que mistura cera de abelha derretida com pigmentos. O resultado foi a série Estudos Acadêmicos, com seis das 18 obras expostas. Nesses nus frontais, a mulher aparece de pé, no centro da tela, com atributos femininos em destaque e uma silhueta contemporânea que evoca as Vênus do paleolítico. A técnica da encáustica exigiu uma pintura rápida, marcando uma ruptura significativa em seu processo criativo. A exposição também apresenta Mulher Chorando em Uma Herma (1988), parte da série Hermas, que explora a relação entre o masculino e o feminino com referências à cultura grega antiga.

Um Legado de Experimentação e Ensino

A formação de Luiz Baravelli é tão diversificada quanto sua arte. Arquiteto pela FAU-USP, estudou desenho e pintura na Faap, onde foi aluno de Wesley Duke Lee, pioneiro da linguagem pop na arte brasileira. Na década de 1970, cofundou a Escola Brasil, um centro de experimentação artística inovador, e, entre 1981 e 1983, participou da fundação da revista Arte em São Paulo, um periódico de referência em artes plásticas e visuais.

Morando e trabalhando em seu ateliê na Granja Viana, Baravelli mantém um “isolamento voluntário” que nutre seu processo de criação. Sua obra não segue fases lineares, mas um contínuo revisitar de estilos e assuntos, misturando recortes de diferentes mídias com desenhos de observação. Esse repertório, meticulosamente armazenado, constitui a matéria-prima de sua arte, que se mantém em constante ebulição e experimentação.

Serviço:
A exposição Rever Baravelli está em cartaz até 26 de julho, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, no Centro MariAntonia da USP (Rua Maria Antonia, 258, Vila Buarque, São Paulo). A entrada é gratuita. Mais informações podem ser encontradas no site do Centro MariAntonia.

Fonte: jornal.usp.br

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