Cuidados Paliativos no SUS: Como o Hospital das Clínicas de SP Revoluciona o Apoio a Pacientes com Doenças Graves para Viverem Melhor
Comitê de Cuidados Paliativos do HC-FMUSP unifica e moderniza o maior serviço da América Latina, priorizando a qualidade de vida e o apoio integral a pacientes e suas famílias.
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) deu um passo significativo para aprimorar o atendimento a pacientes com doenças graves ao instituir um Comitê de Cuidados Paliativos (CPali). A iniciativa marca uma nova fase de integração e modernização, visando fortalecer as ações de cuidados paliativos em todo o complexo hospitalar, que já oferece um dos maiores serviços do tipo no Brasil e na América Latina.
Segundo o médico geriatra e paliativista Douglas Crispim, diretor do Corpo Clínico do Instituto Perdizes do HC e diretor do Comitê, os cuidados paliativos vão muito além do tratamento físico. “Os sofrimentos tratados pelos cuidados paliativos não são só do corpo, são sofrimentos também psicológicos, espiritual e social”, explica Crispim. Embora o HC já ofereça esses cuidados via Sistema Único de Saúde (SUS) há muitos anos, o crescimento disperso dos serviços levou à necessidade de unificação para compartilhar boas práticas e garantir um padrão de excelência.
Modernização para o SUS: Qualidade Semelhante ao Setor Privado
A fase atual do serviço é de intensa modernização, com o objetivo de equiparar a qualidade do atendimento oferecido no SUS ao que se encontra no setor privado. “Não deixar passar nada que possa melhorar o atendimento nosso no Sistema Único”, afirma Crispim. Essa modernização é crucial em um cenário onde as pessoas vivem mais e convivem por mais tempo com doenças graves, graças aos avanços dos tratamentos médicos.
Os cuidados paliativos, nesse contexto, desempenham um papel fundamental em ajudar os pacientes a levar uma vida o mais normal possível. “Não é normal as pessoas ficarem passando por dores durante as doenças, não é normal a pessoa ficar tendo um sofrimento que deixa ela só dentro de casa, a família sofrer da forma que sofre”, pontua o médico. A abordagem é integral, combatendo o sofrimento desde o início da doença, e não apenas nas fases finais da vida, embora também inclua o cuidado no fim da vida.
Apoio Abrangente: Pacientes, Famílias e Cuidadores
Um aspecto crucial dos cuidados paliativos modernos é o reconhecimento de que a doença afeta não apenas o paciente, mas toda a sua rede de apoio. “A gente sabe que hoje, quando a pessoa adoece, adoece o cuidador, aquela pessoa que cuida está adoecendo junto”, ressalta Crispim. O Comitê do HC busca combater esse sofrimento abrangente, oferecendo suporte que se estende aos familiares e cuidadores, garantindo que o processo de cuidado seja menos desgastante para todos os envolvidos.
Educação e Equipe Multiprofissional: A Base do Cuidado Paliativo
Para garantir a qualidade e a abrangência dos cuidados, é essencial educar os profissionais de saúde sobre as práticas modernas de cuidados paliativos. Muitos médicos, segundo Crispim, conhecem apenas abordagens antigas. A formação contínua e o compartilhamento de conhecimento são prioridades.
A especialização em cuidados paliativos exige residência médica prévia para médicos, além de outras formações para obtenção de título. Outras profissões, como enfermagem e nutrição, já contam com especializações na área, e a psicologia está prestes a se consolidar como especialidade em cuidados paliativos. “Não tem como ter cuidado paliativo sem ter atendimento multiprofissional e sem cuidar da saúde mental do paciente, da família e do colega que cuida também”, finaliza Crispim, destacando a importância da abordagem integrada para um cuidado verdadeiramente humano e eficaz.
Fonte: jornal.usp.br
