Copa do Mundo 2026: Globalização e Diversidade em Campo de Tensão Internacional nos EUA, Canadá e México

Copa do Mundo 2026: Globalização e Diversidade em Campo de Tensão Internacional nos EUA, Canadá e México

Professor Pedro Dallari analisa a 23ª edição do torneio, que integra 48 seleções em um cenário de paradoxos entre a união global e os desafios dos direitos humanos.

A próxima Copa do Mundo de futebol masculino, marcada para começar em 11 de junho e ser realizada pela primeira vez em três países — Canadá, Estados Unidos e México —, promete ser uma representação fiel do mundo globalizado, mas também um palco para as tensões internacionais e as complexidades da diversidade. A avaliação é do professor Pedro Dallari, em sua coluna “Globalização e Cidadania”.

O Gigantismo do Evento Global

Segundo Dallari, a 23ª edição do Campeonato Mundial de Futebol Masculino de Seleções Nacionais será um evento de proporções inéditas. “A Copa do Mundo promovida pela Fifa será uma perfeita representação do mundo globalizado, integrando equipes de 48 países extraídas das 211 associações nacionais que são integrantes da Federação”, afirma. O evento bilionário é esperado para atrair o maior público de televisão do planeta, conectando grande parte dos mais de 8 bilhões de habitantes da Terra durante pouco mais de um mês, até 19 de julho.

Diversidade: Fator de Unidade e Desafio

Apesar de sua natureza global, a diversidade emerge como uma característica paradoxal da Copa do Mundo, especialmente em um clima de grande tensão internacional. Dallari aponta aspectos positivos e negativos dessa diversidade. Do lado positivo, o aumento do número de equipes nacionais para 48 (antes 32) é visto como um fator de interesse e mobilização para as populações. Além disso, a diversidade étnica e social das seleções nacionais questiona a xenofobia presente em movimentos políticos, principalmente em países desenvolvidos, transformando jogadores de grupos sociais rejeitados em heróis nacionais.

Preocupações com Direitos Humanos em Contexto de Tensão

Por outro lado, o professor destaca os riscos de discriminação para atletas, particularmente em um cenário de guerras e forte tensão internacional. Essa tensão tem os Estados Unidos da América, um dos países-sede, como ator central. A preocupação com os direitos humanos é reconhecida pela própria Fifa e por importantes entidades internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, que criticam diversos aspectos da realização do evento. A Copa do Mundo, assim, se desenha como um espelho das contradições do nosso tempo, unindo e expondo desafios em escala global.

Fonte: jornal.usp.br

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