China Reconhece Agronegócio Brasileiro Livre de Febre Aftosa: Entenda o Impacto Bilionário para Exportações de Carne e Produtores do Norte
Após mais de duas décadas de restrições, decisão da Administração Geral das Alfândegas da China abre novas portas para o mercado de carnes e fortalece laços comerciais entre os dois países.
A China, maior importadora mundial de carne bovina, suspendeu as últimas restrições à compra de carnes brasileiras, reconhecendo oficialmente o Brasil como livre de febre aftosa. A decisão, divulgada no início de junho pela Administração Geral das Alfândegas da China, representa um marco significativo para o agronegócio nacional, especialmente para os produtores da região Norte, que agora podem retomar a comercialização com o gigante asiático.
O Fim de Duas Décadas de Restrições
As restrições chinesas, que se iniciaram em 2002, foram gradualmente flexibilizadas ao longo dos anos, até seu encerramento completo em 2 de junho. Thiago Bernardino de Carvalho, coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, destaca a medida como um avanço crucial para o setor pecuário brasileiro, projetando um fortalecimento das relações comerciais bilaterais.
Febre Aftosa: Uma Luta Histórica e Seus Impactos
A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa, que afeta principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Embora o risco de transmissão para humanos seja baixo, seus impactos econômicos são severos, incluindo perdas de produtividade, proibições de exportação e elevados custos de controle sanitário. No Brasil, os primeiros registros da doença datam de 1895, mas campanhas sistemáticas de combate ao vírus foram implementadas a partir da década de 1960. Paralelamente, o crescente consumo de carne na China intensificou as demandas sanitárias e comerciais com o Brasil.
Impulso Bilionário para Exportações e Produtores do Norte
Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango. Em 2025, mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina teve a China como destino. Somente no primeiro trimestre de 2026, o país asiático adquiriu cerca de US$ 3 bilhões em carnes do Brasil. O reconhecimento de país livre de febre aftosa e o fim das barreiras comerciais tendem a ampliar ainda mais esses números, beneficiando diretamente os produtores da região Norte, que antes estavam impedidos de acessar o promissor mercado chinês. A China, por sua vez, busca reforçar seus estoques estratégicos e garantir a segurança alimentar de sua vasta população.
Desafios e Perspectivas Futuras
Apesar das perspectivas otimistas para o agronegócio brasileiro, Bernardino alerta para a possível adoção de cotas de importação pelo governo chinês. Essa estratégia, que visa proteger e fortalecer a produção interna do país asiático, pode limitar o crescimento das compras externas, exigindo do Brasil uma contínua adaptação e busca por novas oportunidades no cenário global.
Fonte: jornal.usp.br
