Asma e Alergia Andam Juntas: Saiba Como Identificar Gatilhos Diários e Melhorar Sua Saúde Respiratória com Dicas de Especialista da USP
A expressão “asma alérgica” é bastante comum e reflete uma realidade frequente para milhões de pessoas: a forte ligação entre asma e alergias. Essas duas condições, que afetam o sistema respiratório, muitas vezes caminham lado a lado, com as alergias funcionando como importantes gatilhos para as crises asmáticas.
No episódio mais recente da série “Minuto Saúde Imunológica”, o professor Pérsio Roxo Junior, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, detalha essa relação. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse (especialmente à noite ou durante exercícios) e sensação de aperto no peito. Já a alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias inofensivas, como poeira, ácaros, mofo, pelos de animais, pólen e gramíneas.
A Conexão entre Asma e Alergia
Segundo o professor Roxo Junior, nariz e pulmões fazem parte de um mesmo sistema respiratório e estão intimamente conectados. Uma reação alérgica que provoca inflamação nas vias aéreas superiores pode facilmente favorecer processos inflamatórios nos pulmões, desencadeando ou agravando a asma.
Muitas vezes, o primeiro sinal dessa predisposição é a rinite alérgica, com seus espirros, coceira, coriza e nariz entupido. Com o tempo, as vias respiratórias podem se tornar mais sensíveis e reativas, elevando o risco de crises de asma. É nesse cenário que o termo “asma alérgica” ganha sentido, indicando que a alergia desempenha um papel fundamental tanto no início quanto na manutenção da inflamação dos brônquios, mantendo o organismo em estado de alerta e favorecendo a hiper-reatividade respiratória.
Identificando os Sinais e Gatilhos
O professor aponta alguns sinais que indicam a associação entre asma e alergia:
- Agravamento da tosse ou chiado em ambientes fechados, com poeira ou mofo.
- Sintomas que surgem em épocas específicas do ano, como durante a primavera, devido à maior concentração de pólen.
- Rinite persistente.
- Piora dos sintomas durante a noite.
- Melhora perceptível após a redução da exposição a possíveis gatilhos.
Uma dica simples, mas eficaz, é registrar os momentos e ambientes onde as crises ocorrem. Muitas vezes, os responsáveis são agentes invisíveis, como os ácaros presentes em colchões, travesseiros e estofados.
Estratégias para o Controle e Prevenção
A boa notícia é que controlar as alergias pode impactar significativamente o controle da asma. Entre as medidas recomendadas estão:
- Uso correto das medicações prescritas pelo médico.
- Tratamento adequado da rinite alérgica.
- Redução da exposição a poeira e mofo.
- Utilização de capas antiácaros em colchões e travesseiros.
- Ventilação adequada dos ambientes.
- Restrição da entrada de animais de estimação nos quartos de dormir.
- Evitar o tabagismo dentro de casa.
A Importância do Acompanhamento Médico
O acompanhamento médico é indispensável para identificar os fatores desencadeantes, controlar a inflamação e prevenir crises. Com um diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível reduzir os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.
“Se você apresenta sintomas respiratórios frequentes ou percebe uma relação entre crises de asma e exposição a determinados ambientes, procure avaliação médica. Entender a origem dos sintomas é o primeiro passo para respirar melhor”, alerta o professor Pérsio Roxo Junior.
Essa matéria faz parte da série “Minuto Saúde Imunológica”, uma iniciativa da Rádio USP Ribeirão em parceria com o professor Pérsio Roxo Junior e a jornalista Rose Talamone, que visa democratizar o conhecimento sobre imunidade para todas as idades.
Fonte: jornal.usp.br
