Amazônia Revelada: Museu de Zoologia da USP Apresenta a Grandiosidade da Floresta Através de Pequenas Espécies e Convida o Público a Nomear um Novo Besouro

Amazônia Revelada: Museu de Zoologia da USP Apresenta a Grandiosidade da Floresta Através de Pequenas Espécies e Convida o Público a Nomear um Novo Besouro

Com entrada gratuita, a mostra ‘Amazônia: Descobertas’ no Museu de Zoologia da USP oferece uma jornada imersiva e inclusiva pela riqueza do maior bioma do planeta, focando nos protagonistas invisíveis da biodiversidade.

A Amazônia, frequentemente imaginada por suas imensidões, rios caudalosos e vasta floresta que se estende por mais de 4 milhões de km² do território brasileiro, ganha uma nova e intrigante perspectiva no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). A exposição temporária ‘Amazônia: Descobertas’, aberta ao público desde 3 de junho e em cartaz até maio de 2027, convida os visitantes a enxergar a grandiosidade do bioma a partir do olhar minucioso sobre suas pequenas espécies. Com entrada gratuita, de terça a domingo, das 10h às 17h, a mostra promete uma experiência única e reveladora para todas as idades.

O Protagonismo das Pequenas Espécies

O diretor do museu e curador da exposição, Luís Fábio Silveira, explica que a ideia surgiu da necessidade de inverter a lógica comum sobre a Amazônia, que costuma focar em sua magnitude. ‘Descobrir a Amazônia foi o grande desafio, onde tudo é extenso e grande. A exposição inverte a lógica, os pequenos animais são os protagonistas’, afirma Silveira. Besouros, insetos, anfíbios, aves e mamíferos de pequeno porte são destacados como os verdadeiros arquitetos da megabiodiversidade amazônica, realizando interações complexas e essenciais para a sustentação do ecossistema, muitas vezes de forma discreta. Silveira ressalta ainda o papel fundamental dos museus como ‘refúgios seguros para entender o mundo em que se vive’, combatendo narrativas falsas e promovendo a informação credível. A mostra exemplifica isso ao apresentar os insetos como ‘gigantes amazônicos’, apesar de medirem apenas cerca de 3 centímetros. Entre eles, os dípteros (moscas e mosquitos) são cruciais para as cadeias alimentares e possuem grande importância médica e econômica, incluindo vetores de doenças como malária e dengue. A riqueza da avifauna brasileira também é celebrada, com mais de mil das duas mil espécies de aves do Brasil habitando a Amazônia, como o cabeça-de-prata, o frifrió e o galo-da-serra.

Experiência Interativa e Inclusiva para Todos

A exposição ‘Amazônia: Descobertas’ foi meticulosamente planejada para ser acessível e envolvente, reforçando o compromisso do Museu de Zoologia com a difusão cultural. Os itens estão posicionados em alturas mais baixas, facilitando a visualização por crianças e pessoas em cadeiras de rodas, garantindo uma experiência inclusiva. O percurso é enriquecido com recursos sensoriais e táteis, incluindo modelos ampliados de animais e uma atividade interativa onde é possível tocar e sentir texturas de espécies amazônicas sem vê-las, estimulando diferentes sentidos. Placas explicativas em braile garantem que visitantes com deficiência visual tenham acesso autônomo e completo às informações. Maria Isabel Landim, curadora e chefe da Divisão de Difusão Cultural do MZ, destaca que o museu tem ‘voz própria’ e valoriza os espaços de interação, sendo uma instituição dedicada à pesquisa, ensino e divulgação do conhecimento sobre a biodiversidade. O Museu de Zoologia, que abriga mais de 12 milhões de animais em sua vasta coleção e recebe cerca de 2 mil visitantes por dia, também oferece um espaço de ‘rede social analógica’, onde o público pode compartilhar suas impressões e descobertas em post-its, promovendo um diálogo contínuo.

Uma Nova Espécie para a Ciência e o Voto Popular

Um dos grandes atrativos da exposição é a apresentação de uma nova espécie de besouro-de-correnteza, um achado fascinante resultado de uma colaboração entre o pós-doutorando do museu Thiago Polizei e a pesquisadora Neusa Hamada, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Este minúsculo inseto da família Elmidae, medindo entre 1 e 8 milímetros, habita riachos e igarapés amazônicos e, apesar de seu tamanho discreto, possui uma importância ecológica significativa para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. A exposição oferece uma oportunidade única para os visitantes participarem ativamente da ciência: na atividade ‘Por trás dos nomes’, o público pode votar para escolher o nome oficial da nova espécie entre três sugestões. As opções são: Heterelmis iacamiabas, que remete à lenda das ‘Mulheres sem marido’, as guerreiras amazonas; Heterelmis waimiriatroari, em homenagem aos grupos indígenas Waimiri e Atroari que habitam a região de descoberta; e Heterelmis kinja, que significa ‘Gente verdadeira’, a autodenominação do povo Waimiri-Atroari. Segundo o diretor Luís Fábio Silveira, os votos serão incorporados ao artigo científico que formalizará a descrição da espécie, e os participantes receberão uma cópia da publicação, tendo acesso direto ao material produzido pelos pesquisadores.

Informações para a Visita

A exposição ‘Amazônia: Descobertas’ é uma oportunidade imperdível para explorar a biodiversidade amazônica de uma forma inovadora e engajadora.

  • Período: 3 de junho de 2024 a 31 de maio de 2027
  • Local: Museu de Zoologia da USP
  • Endereço: Av. Nazaré, 481 – Ipiranga, São Paulo
  • Entrada: Gratuita, de terça a domingo, das 10h às 17h.

Agendamentos de grupos e escolas podem ser feitos através do site do museu, onde também estão disponíveis mais informações e redes sociais.

Fonte: jornal.usp.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *