Casa Branca Discute Pagamentos Diretos e Outras Táticas para Aquisição da Ilha
Autoridades dos Estados Unidos têm explorado a ideia de oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Groenlândia, com valores que variam entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa, como parte de uma estratégia para convencer a ilha a se separar da Dinamarca e considerar uma união com os EUA. A informação partiu de quatro fontes familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato para discutir deliberações internas.
A proposta, que visa contornar a insistência de Copenhague e Nuuk de que a Groenlândia não está à venda, surge em meio a outras táticas discutidas pela Casa Branca, incluindo o possível uso das Forças Armadas americanas. No entanto, a abordagem de pagamentos diretos corre o risco de ser vista como excessivamente transacional e até mesmo degradante para a população groenlandesa, que há muito debate sua própria independência e sua dependência econômica da Dinamarca.
Reações Internacionais e da Groenlândia
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reagiu com veemência à insistência do presidente dos EUA, Donald Trump, em adquirir a ilha. “Chega! Basta de fantasias sobre anexação”, escreveu Nielsen em uma publicação no Facebook. Líderes europeus, incluindo os de Copenhague, também expressaram desdém. Em uma declaração conjunta, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca afirmaram que somente a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir sobre assuntos relacionados às suas relações.
A Casa Branca confirmou que Trump e seus assessores de segurança nacional estão “analisando como seria uma possível compra”. O secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que se reunirá com seu homólogo dinamarquês na próxima semana para discutir a Groenlândia. A embaixada da Dinamarca e o escritório de representação da Groenlândia em Washington não comentaram o assunto.
Motivações Estratégicas e o Acordo de Livre Associação
Trump argumenta que a aquisição da Groenlândia é crucial por motivos de segurança nacional e pela riqueza em minerais necessários para aplicações militares avançadas, além de reforçar a influência geopolítica de Washington no Hemisfério Ocidental. A recente operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro teria injetado uma nova urgência nas deliberações sobre a Groenlândia, buscando aproveitar o momento para alcançar outros objetivos de longo prazo.
Entre as possibilidades consideradas está a celebração de um Pacto de Livre Associação, similar aos acordos firmados com nações insulares do Pacífico. Esse tipo de acordo geralmente envolve a provisão de serviços essenciais pelos EUA, como correspondência e proteção militar, em troca da livre operação das Forças Armadas americanas e isenções fiscais no comércio. Para que tal plano seja implementado, a Groenlândia precisaria se separar da Dinamarca. Embora pesquisas indiquem um desejo majoritário pela independência, preocupações econômicas têm freado a convocação de um referendo. Curiosamente, a maioria dos groenlandeses, apesar de aberta à separação da Dinamarca, não demonstra interesse em fazer parte dos Estados Unidos.


