Indústria de Defensivos Agrícolas Prevê Ano Mais Difícil: Custos Altos, Crédito Escasso e Preços Baixos de Commodities Pressionam Margens

Cenário Desafiador à Vista para o Agronegócio

A indústria de defensivos agrícolas no Brasil antecipa um ano de 2026 mais desafiador, marcado pela pressão de custos elevados, crédito rural mais restrito e caro, e a desvalorização das commodities agrícolas. Representantes do setor alertam que essa combinação de fatores pode impactar significativamente o agronegócio brasileiro.

Julio Borges Garcia, vice-presidente do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), expressou preocupação, afirmando que o ambiente atual é menos favorável do que no ano anterior. “Eu receio que esse ano será pior do que foi o ano passado”, declarou. Ele explicou que o aumento nos custos de produção, impulsionado pela alta de fertilizantes, combustíveis e fretes, somado ao encarecimento e à escassez de crédito, ocorre em um momento em que os preços das commodities não acompanharam essa trajetória ascendente.

Apesar de os preços dos defensivos terem atingido picos durante a pandemia, eles recuaram consideravelmente desde então, encontrando-se nos níveis mais baixos históricos. No entanto, a recente escalada de tensões no Oriente Médio voltou a pressionar os custos de matérias-primas, com pelo menos 30 insumos registrando aumentos expressivos, especialmente o glifosato.

Repasse de Custos e Margens Apertadas em Toda a Cadeia

Embora os aumentos de custos ainda não tenham sido totalmente repassados aos produtores rurais, espera-se que cheguem gradualmente ao mercado. Parte das compras anteriores ainda se beneficiou de estoques com preços antigos, mas a tendência é de reajustes. André Pozza, diretor de marketing da Syngenta no Brasil, confirmou que não há, globalmente, problemas de falta de produção, mas sim impactos relacionados à alta da energia, petróleo e frete.

Os reajustes variam conforme a origem dos produtos, com defensivos vindos da China apresentando aumento de cerca de 40% no custo de origem, enquanto outros tiveram elevações entre 3% e 5%. Para a indústria, esse repasse de custos não se traduzirá em aumento de margens, mas sim em um retorno a níveis operacionais anteriores. Fabricantes, revendedores e cooperativas já registram resultados inferiores devido à combinação de preços menores dos produtos e custos fixos mais elevados.

Pozza descreveu um cenário de margens pressionadas em toda a cadeia do agronegócio, desde o agricultor até a rede de distribuição. “Toda cadeia está trabalhando com pressão de margem pelo aumento dos custos”, afirmou.

Ritmo de Compras e Preocupações com Crédito e Inadimplência

O ritmo de compras para a safra 2026/27 está ligeiramente acima do ano anterior, mas ainda abaixo da média histórica. Produtores anteciparam suas aquisições por receio de novos aumentos de preços após conflitos internacionais, mas o espaço para adiamento é limitado devido ao calendário agrícola.

O crédito rural é uma das principais preocupações. A indústria tem perdido recursos, e a disputa por garantias para financiamento deve se intensificar. Bancos tendem a intermediar o crédito por meio das indústrias, que atuarão na seleção de produtores com melhores condições. O custo do financiamento se tornou um obstáculo, com a rentabilidade dos grãos caindo a níveis que dificultam até o pagamento de arrendamentos.

Relatos indicam um aumento significativo da inadimplência no setor, com o índice dobrando entre 2024 e 2025, e dobrando novamente no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A queda nas commodities agrícolas, como soja e milho, e a valorização do real frente ao dólar também preocupam o segmento, afetando o ânimo do produtor.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *