Acareação expõe contradições em depoimentos
As investigações sobre fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master ganharam novos contornos com a decisão da Polícia Federal de realizar uma acareação entre o banqueiro André Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Segundo apurou a CNN, as versões apresentadas pelos dois durante seus depoimentos individuais apresentaram contradições significativas, levando a delegada responsável a optar pelo confronto direto para esclarecer os pontos divergentes.
Banco Central sob escrutínio e depoimento decisivo
Um dos focos da investigação e da acareação é a postura do Banco Central (BC) no processo de liquidação do Banco Master. Vorcaro e Costa foram questionados sobre o tempo decorrido entre os primeiros indícios de fraude e a decretação da liquidação. Inicialmente, a previsão era que o diretor do BC, Otávio Ladeira de Aquino, participasse da acareação, mas seu depoimento foi considerado esclarecedor e ele foi liberado do procedimento. Interlocutores do gabinete do ministro Gilmar Mendes, do STF, que também ofereceu sugestões de perguntas, avaliaram que a fala de Aquino foi crucial para direcionar as investigações.
Fraude bilionária e liquidação do Banco Master
A fraude descoberta, que acarretou na operação da PF contra Vorcaro e aliados, envolve a formação de uma carteira de crédito falsa utilizada na operação de venda do Banco Master para o BRB. A descoberta levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio no final de novembro, inviabilizando a venda da instituição anunciada um dia antes. As investigações tiveram início em 2024, a pedido do Ministério Público Federal, para apurar a fabricação de carteiras de crédito insubsistentes, que teriam sido vendidas a outro banco e, posteriormente, substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada após fiscalização do BC.
Banco Master: modelo de negócios arriscado
O Banco Master já vinha sendo observado pelo mercado devido ao seu modelo de negócios considerado arriscado. A instituição atuava com a emissão de papéis garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com taxas de remuneração superiores às praticadas pelo mercado, o que levantava preocupações sobre sua sustentabilidade e conformidade regulatória.


