A nova realidade da guerra moderna
A Europa enfrenta um desafio sem precedentes na sua defesa, aprendendo lições cruciais com os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. O think tank Bruegel alerta que a proliferação de drones e mísseis de precisão, antes equipamentos de alto custo e restritos a poucas nações, tornou-se uma ameaça acessível e devastadora. A dinâmica de custos mudou fundamentalmente: o preço dos armamentos ofensivos, como os drones iranianos, é significativamente inferior ao das sofisticadas defesas aéreas e antimísseis utilizadas para neutralizá-los. Isso leva a um esgotamento rápido dos estoques de defesas, mais veloz do que a capacidade de reposição.
Ucrânia: o laboratório da nova guerra
A Ucrânia, em sua defesa contra a Rússia, já vivencia essa dura realidade. O país é forçado a tomar decisões difíceis sobre quando utilizar seus preciosos interceptores, diante de um volume massivo de ataques russos. Os países que fornecem sistemas de defesa aérea para a Ucrânia também sentem a pressão em seus próprios arsenais. A lição é clara: a defesa isolada torna-se insustentável se o atacante conseguir produzir armamentos em maior velocidade do que o defensor consegue interceptar. A inovação, neste cenário, vem de soluções de baixo custo, como os drones intercetores desenvolvidos por empresas ucranianas, que já atraem o interesse de nações do Golfo.
O perigo russo e a necessidade de novas estratégias
Ao contrário de Israel e Estados Unidos, a principal ameaça à Europa não é o Irã, mas sim a Rússia. Com uma força aérea robusta e um sistema de defesa aérea e antimísseis altamente integrado e sofisticado, a Rússia representa um desafio ainda maior. Um conflito entre a Europa e a Rússia pode se assemelhar a uma versão intensificada do que ocorre no Oriente Médio, com vastas salva de drones e mísseis russos capazes de saturar e sobrecarregar as defesas europeias. O Bruegel enfatiza a necessidade de a Europa investir em tecnologia de interceção barata e em larga escala, para reduzir a assimetria financeira entre ataque e defesa. Continuar dependendo de interceptores caríssimos contra drones de baixo custo é um caminho para o esgotamento financeiro.
Ataque em profundidade: a segunda lição crucial
Além de investir em defesas mais acessíveis, o Bruegel aponta para uma segunda prioridade, politicamente mais complexa, mas militarmente vital: o desenvolvimento de capacidades ofensivas de ataque em profundidade. A análise sugere que, em uma guerra de desgaste contra um adversário com a capacidade industrial da Rússia, as defesas aéreas sozinhas não serão suficientes. É necessário corroer a capacidade ofensiva do inimigo em sua origem, atacando suas fábricas e instalações de produção de drones e mísseis. A lógica estratégica deve ser inverter a atual assimetria, acumulando munições de defesa aérea acessíveis e, simultaneamente, degradando a capacidade produtiva russa. Em vez de gastar interceptores caros para abater drones baratos, a meta deve ser a interceção de baixo custo, enquanto os arsenais e a indústria de defesa do inimigo se tornam os alvos principais.
Fonte: pt.euronews.com
