O aneurisma de aorta, uma dilatação anormal na parede dos vasos sanguíneos, é uma condição que progride de forma silenciosa e representa um grave risco à saúde, podendo levar ao rompimento da artéria. Embora possa ocorrer em diversas artérias, é na aorta, a maior artéria do corpo, que se manifesta com maior frequência e gravidade, especialmente em sua porção abdominal. O professor Erasmo Simão da Silva, do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da USP, explica que essa dilatação expande o diâmetro do vaso, causando danos às suas paredes e aumentando exponencialmente o risco de complicações.
O que é e onde ocorre o aneurisma de aorta?
Um aneurisma é caracterizado por uma dilatação que supera em duas vezes o diâmetro normal de uma artéria. No caso da aorta, que se origina no coração e se estende por todo o tórax e abdômen, os aneurismas podem surgir em diferentes segmentos. A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular aponta que os aneurismas são de três a sete vezes mais comuns na aorta abdominal do que na torácica. A parte ascendente da aorta, próxima ao coração, é geralmente tratada por cirurgiões cardíacos, enquanto os aneurismas na aorta abdominal e torácica descendente são de alçada da cirurgia vascular.
Uma doença silenciosa com risco de ruptura
A natureza insidiosa do aneurisma de aorta é um dos seus maiores perigos. A doença pode evoluir sem sintomas perceptíveis até que atinja um estágio crítico, culminando na ruptura da artéria – o desfecho mais temido. Segundo o professor Erasmo, não existe um tratamento direto para a redução do aneurisma uma vez que ele se forma. Por isso, quando detectado precocemente e ainda pequeno, o foco do tratamento é no paciente como um todo, abordando as doenças associadas. Um aneurisma, mesmo pequeno, serve como um sinal de alerta para outras condições arteriais, como obstruções em membros inferiores, artérias renais, viscerais, coronárias ou intracerebrais. O crescimento da anomalia é impulsionado pelo fluxo sanguíneo, e a evolução natural é de expansão gradual.
Opções de tratamento: do acompanhamento à cirurgia
O manejo do aneurisma de aorta envolve o tratamento das condições que o agravam. Isso inclui o controle rigoroso do tabagismo, pressão arterial, diabetes e níveis de colesterol. A intervenção cirúrgica é indicada quando o aneurisma atinge um tamanho considerável: acima de 55 milímetros de diâmetro em homens e 50 milímetros em mulheres, para aneurismas de aorta abdominal. Existem duas abordagens cirúrgicas principais:
- Cirurgia Endovascular (por cateter): Menos invasiva, realizada através de um acesso remoto (geralmente na virilha). Uma endoprótese é inserida e liberada dentro do aneurisma, desviando o fluxo sanguíneo e evitando a pressão sobre a parede dilatada. Requer uma anatomia específica do aneurisma.
- Cirurgia Aberta: O tratamento tradicional, mais invasivo, que envolve uma grande incisão abdominal. O aneurisma é isolado e substituído por uma prótese que é costurada. Embora mais definitiva e com menos problemas futuros, possui uma mortalidade maior que a cirurgia endovascular.
Homens, idosos e tabagistas: os mais afetados
O aneurisma de aorta é predominantemente uma doença de pacientes idosos, geralmente acima dos 60 anos, e do sexo masculino. O tabagismo é um fator de risco crucial, pois atua na parede da aorta, promovendo inflamação. A proporção é de cerca de sete homens para cada mulher com aneurisma. No sexo feminino, os hormônios tendem a oferecer uma proteção que dificulta a dilatação arterial. No entanto, quando uma mulher desenvolve aneurisma, a condição tende a ser mais grave, com anatomia mais complexa, maior risco de ruptura precoce e mais complicações durante o procedimento cirúrgico.
Fonte: jornal.usp.br
