Especulações e Acareação
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC), tornou-se um tema de intenso debate político no Brasil. Cristiano Noronha, cientista político e vice-presidente da Arko Advice, avalia que o sigilo imposto ao caso pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a subsequente acareação determinada por ele, acabam por alimentar especulações sobre quem estaria envolvido na situação.
“Essa questão da determinação do sigilo, essa decisão de investigar, fazer essa acareação que foi decidida à revelia do que defendia a Polícia Federal, tudo isso acaba alimentando muito essas especulações de quem efetivamente estaria envolvido”, afirmou Noronha em entrevista ao Agora CNN.
Politização do Caso
Noronha também comentou sobre a crescente politização do caso. “O assunto já está sendo politizado no âmbito local em Brasília, porque a gente viu também personalidades políticas defendendo a compra do Banco Master pelo BRB, que é um banco público”, detalhou.
A revelação de que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, mantinha um contrato com o Banco Master foi apontada pelo especialista como um elemento que fortalece a oposição. Ele relembrou ainda os diversos pedidos de impeachment já direcionados ao ministro.
Estratégia do Governo
Sobre a postura do governo federal em manter distância do confronto direto e enfatizar a autonomia do Banco Central, Noronha considera a estratégia acertada. “Faz todo sentido o governo fazer isso, primeiro porque se distancia do problema, insiste em uma decisão absolutamente técnica que o Banco Central tomou e eventualmente não politiza ainda mais esse assunto.”
Segundo o vice-presidente da Arko Advice, esse distanciamento estratégico visa evitar que o governo seja acusado pela oposição de tentar proteger figuras importantes, caso surjam evidências de envolvimento de personalidades políticas e jurídicas relevantes no caso.


