O litoral sul de Santa Catarina foi palco de um fenômeno natural raro em janeiro: um tsunami meteorológico que surpreendeu moradores e turistas na Praia do Cardoso, em Laguna. Após dias de calor intenso, o mar avançou de forma repentina, atingindo carros e inundando comércios, conforme registrado por câmeras de segurança e por variações bruscas no nível do mar em portos da região.
O episódio, que gerou surpresa e preocupação, difere significativamente dos tsunamis sísmicos, causados pela movimentação de placas tectônicas no fundo do oceano. A Argentina também registrou um evento similar na mesma época, descrito como um “mini tsunami”, que resultou em uma morte e dezenas de feridos na costa atlântica de Buenos Aires.
O que diferencia um Tsunami Meteorológico?
Para entender a natureza do ocorrido em Santa Catarina, o físico Marcelo Dottori, professor de oceanografia do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), esclarece a distinção. Diferente dos tsunamis sísmicos, que têm origem em terremotos submarinos, o tsunami meteorológico é provocado por variações bruscas de pressão atmosférica. Essas alterações estão associadas a sistemas meteorológicos instáveis que se formam sobre o oceano, especialmente após períodos de calor extremo.
A instabilidade atmosférica sobre o oceano foi o principal fator para a formação da onda repentina que pegou os banhistas desprevenidos na Praia do Cardoso. Dottori reforça que se trata de um evento de ocorrência rara.
Fenômeno Raro e Sem Vínculo Climático
Apesar de sua raridade e do impacto causado, o tsunami meteorológico registrado em Laguna não possui relação com o aquecimento global, segundo o professor Marcelo Dottori. Essa distinção é crucial para compreender a origem e a natureza do fenômeno, que, embora raro, não pode ser descartado de futuras ocorrências.
Prevenção Impossível, Previsão Essencial
De acordo com o especialista, não é possível evitar a ocorrência desse tipo de evento natural. No entanto, a capacidade de prever e, consequentemente, reduzir os danos associados a ele, depende diretamente de avanços tecnológicos e de investimentos contínuos em pesquisa. O Brasil, por estar distante de zonas de subducção, apresenta um risco reduzido de tsunamis gerados por terremotos submarinos, o que direciona a atenção para fenômenos de origem meteorológica como o observado em Santa Catarina.
Fonte: jornal.usp.br


