Estudo da USP Revela Destino e Impactos Preocupantes de Pesticidas e Microplásticos em Nossos Recursos Hídricos

Um estudo recente da Escola Politécnica da USP lançou luz sobre o destino ambiental de poluentes emergentes, como pesticidas e microplásticos, em águas superficiais. A pesquisa, que aborda um problema crescente e de grande importância, investigou a presença e os impactos desses compostos em rios, lagoas, reservatórios de abastecimento e regiões costeiras, fornecendo dados cruciais para órgãos públicos e empresas repensarem a legislação e o monitoramento ambiental.

Impactos nos Ecossistemas Aquáticos e Saúde Humana

O professor Antonio Carlos Silva Costa Teixeira, do Departamento de Engenharia Química da USP e orientador da tese, enfatiza que esses compostos são capazes de provocar efeitos indesejados à saúde dos ecossistemas aquáticos. Segundo ele, pesticidas e microplásticos podem causar toxicidade crônica em algas, microcrustáceos e peixes, além de desregulação hormonal e endócrina, afetando, por exemplo, a reprodução. “Considerando o tamanho desse problema, existe uma categoria muito ampla de compostos, em diferentes faixas de concentração, presentes nas águas, que são capazes de provocar esses efeitos”, explica Teixeira.

No que diz respeito à saúde humana, os impactos ainda são pouco conhecidos, o que gera preocupação. A bioacumulação e biomagnificação desses poluentes em diferentes organismos aquáticos podem ter consequências indiretas para quem consome água ou alimentos contaminados.

Metodologia e Descobertas sobre Pesticidas

A doutora Ádila de Oliveira Sampaio Dantas, também do Departamento de Engenharia Química da USP e pesquisadora principal, detalha que o estudo foi dividido em duas partes. A primeira focou em pesticidas frequentemente detectados em rios e reservatórios. Foram avaliados o metomil no rio Paranapanema, e a metribuzin e a ciromazina no rio Araguaia. “Nós observamos que a persistência desses pesticidas na água vai depender muito das condições ambientais específicas da localidade de uso”, comenta Ádila.

As conclusões indicam que, em alguns casos, a biodegradação foi o principal mecanismo de remoção desses contaminantes. No entanto, processos fotoquímicos, induzidos pela luz solar e com a participação de espécies reativas, também tiveram uma contribuição significativa na degradação desses compostos.

O Papel dos Microplásticos na Contaminação

A segunda parte da pesquisa se dedicou aos microplásticos. A equipe investigou se essas partículas absorvem contaminantes, como envelhecem quando expostas à luz e se podem gerar radicais livres ambientalmente persistentes, que afetam a microbiota. Os resultados foram reveladores: “Os microplásticos não são apenas partículas inertes no meio ambiente”, afirma Ádila. Quando expostos à luz e a processos oxidativos, eles sofrem alterações químicas, formando grupos oxigenados em sua superfície e gerando radicais livres que podem persistir por dias ou horas.

Além disso, a pesquisa verificou que, após o envelhecimento com luz, os microplásticos aumentam sua capacidade de absorver outros contaminantes, como os pesticidas, tornando-se vetores de poluição.

Implicações e Próximos Passos

O professor Teixeira finaliza, destacando a conexão dessa pesquisa com outras linhas de investigação da equipe. “Agora essa pesquisa está também relacionada a uma outra linha de pesquisa da nossa equipe, que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias avançadas e mais eficientes para tratamento de efluentes da indústria, efluentes hospitalares e efluentes da agroindústria, no caso específico dos pesticidas, e também tecnologias mais eficientes para o tratamento de água de abastecimento”, conclui. Os achados reforçam a urgência em desenvolver soluções para mitigar a presença desses poluentes e proteger nossos recursos hídricos.

Fonte: jornal.usp.br

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