Transmissão limitada entre humanos reduz possibilidade de disseminação global do vírus Nipah

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"title": "Vírus Nipah: Por Que a Transmissão Limitada Entre Humanos Afasta o Risco de Pandemia Global, Segundo Especialistas",
"subtitle": "Infectologista da USP explica que, ao contrário da COVID-19, o Nipah não se dissemina eficientemente por via aérea, garantindo a eficácia de medidas de controle e a segurança do Brasil.",
"content_html": "<p>O temor de uma nova pandemia global, desta vez causada pelo vírus Nipah, é dissipado por especialistas e órgãos de saúde. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) garantem que não há risco de uma disseminação em larga escala, e o surto recente na Índia, com dois casos confirmados entre profissionais de saúde, não apresenta evidências de propagação internacional ou para a população brasileira.</p><h3>Transmissão e Contágio: Entenda as Diferenças Cruciais</h3><p>O infectologista e patologista Amaro Nunes Duarte Neto, professor associado da Faculdade de Medicina da USP, explica que a transmissão do Nipah entre humanos é limitada. Em geral, o contágio exige contato próximo e prolongado com secreções corporais de uma pessoa infectada. "Diferentemente da covid-19, não há evidências de transmissão sustentada por via aérea", destaca o especialista. Ele ressalta que os surtos registrados até hoje demonstram a eficácia de medidas clássicas de vigilância epidemiológica, como isolamento de casos suspeitos e rastreamento de contatos, para interromper a cadeia de transmissão.</p><p>Ao contrário do SARS-CoV-2, o vírus causador da COVID-19, o Nipah não apresenta uma transmissão eficiente entre humanos, especialmente por pessoas assintomáticas. Isso significa que, mesmo que o vírus chegue a um novo país, como o Brasil, o cenário mais provável é de ocorrência de casos ou surtos isolados, e não uma disseminação em massa. A COVID-19, por sua vez, espalhou-se rapidamente devido à sua fácil transmissão pelo ar e pela capacidade de ser disseminada por indivíduos sem sintomas ou com pouquíssimos sintomas.</p><h3>Sintomas Graves e Alta Letalidade: O Perigo do Vírus Nipah</h3><p>O vírus Nipah, pertencente à família Paramyxoviridae e ao gênero Nipah Virus, é um vírus de RNA com alta capacidade de causar doença grave. Ele tem predileção por células do sistema nervoso central e dos vasos sanguíneos, explicando a frequência de encefalite e complicações vasculares. Quem contrai a doença pode apresentar febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas e vômitos. Muitos pacientes podem evoluir rapidamente para um quadro neurológico grave, com confusão mental, sonolência e convulsões.</p><p>“É um quadro grave de inflamação no cérebro, que é chamado de encefalite, e esses pacientes podem evoluir com coma e óbito decorrente de edema cerebral intenso”, explica Duarte Neto. Alguns pacientes também podem desenvolver sintomas respiratórios como tosse e dificuldade para respirar. A taxa de letalidade na infecção pelo vírus Nipah é muito alta, variando entre 40% a 75%, dependendo do surto.</p><h3>Origem, Prevenção e Ausência de Risco no Brasil</h3><p>O vírus Nipah está associado a espécies de morcegos frugívoros típicos da Índia, conhecidos como morcegos das frutas, que não existem no Brasil. A transmissão pode ocorrer de três formas principais: de animais para humanos (através do consumo de frutas ou bebidas contaminadas por saliva ou urina de morcegos, ou por contato com animais infectados como porcos e cavalos) e de pessoa para pessoa (principalmente pelo contato direto com secreções corporais como saliva, secreções respiratórias, sangue ou urina).</p><p>Para se prevenir, Amaro Nunes Duarte Neto recomenda evitar o consumo de frutas parcialmente comidas ou caídas no chão, descascar frutas antes de comer, e evitar bebidas artesanais que possam ter sido contaminadas por morcegos. Em ambientes de saúde, é fundamental utilizar equipamentos de proteção, isolar rapidamente casos suspeitos e monitorar contatos próximos. Até o momento, não há tratamento específico contra o Nipah, mas pesquisas estão em andamento para desenvolver terapias eficazes.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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