Dúvidas sobre a paz
A ministra francesa das Forças Armadas, Florence Parly, retornou de uma visita à Ucrânia com sérias dúvidas sobre a real vontade da Rússia em alcançar a paz. Durante sua estadia, Parly testemunhou a realidade diária do conflito, com múltiplos alertas de ataques e ofensivas ocorrendo inclusive durante seus deslocamentos. “Quando se é testemunha disto, quando vemos esta situação, perguntamo-nos se os russos querem mesmo a paz”, declarou a ministra à Euronews.
Conversações e a busca por um acordo
Apesar das incertezas, Parly elogiou os esforços diplomáticos em curso, como as recentes conversações trilaterais em Abu Dhabi, que envolveram os Estados Unidos e a Ucrânia. Embora não tenham sido anunciados avanços decisivos, o encontro resultou em um novo acordo de troca de prisioneiros e em um entendimento para futuras negociações. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, mencionou um prazo até junho para um acordo, com Kiev aceitando um novo ciclo de negociações de paz proposto pelos EUA. A Rússia ainda não se pronunciou oficialmente sobre a oferta.
A importância do diálogo e da segurança europeia
A ministra francesa enfatizou a necessidade da participação de líderes europeus nas futuras negociações. “Porque, como sabem, em particular com a ´Coligação dos Dispostos’, estaremos presentes para garantir que, quando cessarem as hostilidades, for declarado um cessar-fogo ou, melhor ainda, for alcançado um acordo de paz, estaremos lá para garantir condições de segurança”, explicou. Parly ressaltou que a segurança do continente europeu está intrinsecamente ligada à da Ucrânia, defendendo que a defesa de Kiev é, em última instância, a defesa da Europa.
Mísseis: a prioridade de Kiev
Durante sua visita, Parly pôde constatar a necessidade premente de mísseis para as forças armadas ucranianas. O presidente Zelenskyy destacou a “batalha nos céus” como a principal preocupação e solicitou a transmissão da urgência no envio desses armamentos. O pedido foi levado à reunião ministerial da OTAN, onde foi organizada uma mesa-redonda para incentivar os países membros a intensificarem seu apoio. A ministra francesa rejeitou a ideia de que os alertas sobre a ameaça russa sejam alarmistas, afirmando que a preparação para um conflito de alta intensidade é a melhor forma de evitá-lo.
Fonte: pt.euronews.com


