Um avanço significativo na compreensão dos riscos à saúde associados ao tabagismo acaba de render um prestigiado reconhecimento internacional a um estudante brasileiro. Guilherme Ponciano de Barros, aluno do terceiro ano de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, foi agraciado com o SOT Undergraduate Research Award pela Society of Toxicology (SOT), uma das mais importantes entidades globais na área.
O prêmio garante a participação do jovem pesquisador na conferência anual da SOT, que ocorrerá em março nos Estados Unidos. O evento é considerado um dos mais relevantes do mundo no campo da toxicologia, oferecendo uma plataforma de destaque para a apresentação de sua pesquisa inovadora.
Pesquisa Desvenda Efeitos de Cigarros no Câncer
Sob a orientação da professora Sandra Helena Poliselli Farsky, do Laboratório de Inflamação e Imunotoxicologia da FCF-USP, e com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Guilherme Ponciano de Barros investiga como a exposição a produtos do tabaco – tanto cigarros convencionais quanto eletrônicos – afeta a interação entre células de câncer de pulmão e o sistema imunológico.
O foco do estudo está na polarização de macrófagos, que são células de defesa cruciais e que podem ser influenciadas pelo ambiente tumoral. A pesquisa busca entender como esses produtos alteram a dinâmica imunológica, impactando diretamente a progressão da doença.
Cigarros Eletrônicos Apresentam Efeitos Semelhantes aos Convencionais
Os resultados preliminares da pesquisa trazem um alerta importante: ambos os tipos de cigarros, convencionais e eletrônicos, demonstram ter efeitos biológicos semelhantes. Essa constatação desafia a percepção popular de que os cigarros eletrônicos seriam uma alternativa mais saudável ou menos prejudicial.
“Resultados preliminares indicam que tanto o cigarro convencional quanto o eletrônico influenciam essa dinâmica. Já se sabe que o cigarro está associado ao câncer de pulmão e afeta o sistema imunológico. Observamos que ambos os produtos, cigarro convencional e eletrônico, interferem na interação entre as células tumorais e as células imunes”, explica Barros. Ele acrescenta que “isso mostra que o cigarro eletrônico, embora comercializado como mais seguro, pode não ser tão inofensivo. Muitas pessoas o utilizam com maior frequência justamente por acreditarem que causa menos danos, o que pode trazer riscos semelhantes ou até maiores. Nossos dados sugerem efeitos praticamente similares entre eles. Entender esses mecanismos é essencial para pensar em terapias, reduzir impactos, avaliar dependência e estabelecer critérios de segurança”.
Reconhecimento e Planos Futuros na Carreira Científica
A SOT destacou que o prêmio reflete a excelência da candidatura de Guilherme e seu compromisso com o avanço científico em prol da saúde humana e ambiental. Para o estudante, o ambiente laboratorial foi um fator chave em sua formação. “Aprendi muito com o grupo e amadureci tecnicamente e organizacionalmente”, afirma, ressaltando a importância de aplicar na prática o conteúdo da graduação.
Guilherme Ponciano de Barros planeja aproveitar a conferência internacional para expandir sua rede de contatos e receber mentorias especializadas. Após a conclusão do curso de Farmácia, o estudante almeja seguir carreira acadêmica e adquirir experiência internacional para aprofundar suas pesquisas científicas.
Fonte: jornal.usp.br


