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Brasil registra menor taxa de desemprego da história em 2025: O que impulsiona a ocupação e quais os riscos para a economia?

O Brasil alcançou em 2025 a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica, estacionando em 5,6%. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a população desocupada somou 6,2 milhões de pessoas, uma redução expressiva de cerca de 1 milhão em relação a 2024, representando uma queda de 14,5%. Em contraste, a população ocupada atingiu um recorde de 103 milhões, um aumento de 1,7% na comparação anual.

Política Econômica e o Crescimento da Ocupação

Para Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, esse cenário de mercado de trabalho aquecido é resultado direto da política econômica adotada pelo governo. “A principal causa é a política econômica que o governo Lula tem adotado. Uma política ostensivamente de aumento do gasto público, aumento das transferências de renda, isso entrega à população um poder de compra que gera um consumo muito grande e do consumo vem o crescimento do número de pessoas ocupadas”, explica Zylberstajn. Segundo ele, essa estratégia impulsiona o consumo, especialmente entre as camadas de menor poder aquisitivo, gerando mais ocupações.

A Qualidade da Ocupação em Debate

Apesar dos números positivos, o professor Zylberstajn faz uma distinção importante entre “ocupação” e “emprego”. Ele adverte que grande parte desse crescimento não se refere a empregos formais, mas sim a outras formas de inserção no mercado de trabalho, em especial a informalidade. “Esse crescimento é chamado de voo da galinha, pois chega uma hora que é difícil de sustentar, visto que o dinheiro do governo acaba e ele torna-se incapaz de continuar sustentando essa política e em seguida vem a queda na ocupação”, avalia. O especialista destaca que o Microempreendedor Individual (MEI) tem sido um motor desse crescimento, mas ressalta que a qualidade dessas ocupações é “bastante discutível”, frequentemente caracterizadas por trabalhos descontínuos e temporários.

Renda do Trabalho e Desigualdade

A análise da renda média do trabalho no Brasil revela uma acentuada desigualdade. Embora a média gire em torno de R$ 3.500 (aproximadamente dois salários mínimos), cerca de 80% da população ocupada ganha abaixo desse valor. Zylberstajn aponta que a maioria dos novos postos de trabalho criados paga menos que a renda média. Do ponto de vista macroeconômico, a renda dos trabalhadores representa 35% do PIB brasileiro, enquanto o capital responde pelos outros 65%. Em países desenvolvidos, a proporção da renda destinada ao trabalho é de cerca de 60%, uma diferença que o professor atribui à estagnação da produtividade do trabalho no país.

Juros e o Cenário Futuro

Para o futuro, o professor Hélio Zylberstajn prevê a continuidade do cenário atual em 2025, impulsionado por novas transferências de renda e pacotes governamentais, como a aprovação da medida provisória do novo Vale Gás. Contudo, para 2026, a situação pode se complicar com sinais de desaceleração. Ele também aborda o impacto da taxa de juros, que consome quase 10% do PIB apenas para o pagamento da dívida pública, classificando-a como “catastrófica”, mas uma ferramenta essencial do Banco Central para combater a inflação. Embora uma queda nas taxas seja esperada a partir das próximas reuniões do Copom, seus efeitos demoram a ser observados, indicando uma melhora gradual a longo prazo.

Fonte: jornal.usp.br

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