A Universidade de São Paulo (USP) acaba de inaugurar o Centro de Ciência para Rodovias Avançadas e Descarbonizadas (CCD Road), uma iniciativa ambiciosa que visa revolucionar a pavimentação rodoviária no Brasil. O principal objetivo do centro é acelerar a criação e implementação de soluções que promovam a descarbonização do setor de transportes, focando na reciclagem de pavimentos e na melhoria da segurança das vias.
Kamilla Vasconcelos, coordenadora do CCD Road e professora do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP, enfatiza a necessidade de cooperação multifacetada para o sucesso da empreitada. “É necessária a cooperação de várias partes da sociedade para a melhor condição das rodovias”, afirma. O diferencial do CCD Road reside em seu modelo de hélice tríplice, que integra ativamente universidades (USP e Unicamp), a indústria e o governo, garantindo uma abordagem colaborativa e abrangente para os desafios.
A Realidade e os Benefícios da Reciclagem Asfáltica
O CCD Road busca incentivar o desenvolvimento de tecnologias para a reciclagem rodoviária, com um duplo foco: o benefício ambiental e a segurança das vias. No Estado de São Paulo, onde o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) administra 12 mil quilômetros de rodovias, o impacto potencial é imenso. “Esse centro foi planejado com a principal missão de desenvolver e fomentar a implantação dessas tecnologias de reciclagem, dos pavimentos asfálticos em específico, para promover essa descarbonização da pavimentação rodoviária do Estado de São Paulo”, explica Vasconcelos.
A adoção dessas tecnologias promete múltiplos benefícios. A ideia central é utilizar menos materiais, consumir menos energia e, consequentemente, reduzir os custos de pavimentação, não apenas em São Paulo, mas em todo o País. Kamilla Vasconcelos destaca que a reciclagem de pavimentos já é uma realidade em expansão. “A gente consegue ver nos últimos anos uma mudança de muitas dessas tecnologias, olhando um pouco para a questão, ou para as questões relacionadas à reciclagem desses pavimentos”, observa. As usinas de misturas asfálticas têm se adaptado, e o apoio das concessões de rodovias em São Paulo tem sido crucial para impulsionar a adoção dessas práticas.
Seis Grupos de Trabalho para a Inovação
O centro está estruturado em seis grupos de trabalho (GTs), cada um dedicado a um aspecto específico do reaproveitamento do asfalto e da melhoria das rodovias:
- GT1: Avaliação e Planejamento Logístico para o Uso: Foca na análise e no planejamento estratégico do material a ser reciclado.
- GT2: Reciclagem a Quente ou Morna: Dedica-se à reinserção do material reciclado na camada mais superficial do pavimento, mantendo sua função original.
- GT3: Reciclagem a Frio: Explora o uso do material em camadas menos nobres, dependendo de suas características.
- GT4: Execução, Monitoramento e Gestão de Dados: Responsável pela implementação e acompanhamento de trechos experimentais e pela gestão dos dados coletados.
- GT5: Desempenho Ambiental: Avalia o impacto ambiental das soluções propostas, com forte ênfase na descarbonização.
- GT6: Condições de Superfície do Pavimento: Examina a segurança do usuário e a redução de emissões veiculares de dióxido de carbono, ligando a qualidade da rodovia à sustentabilidade.
Com essa estrutura abrangente, o CCD Road busca fechar um ciclo completo, desde a geração do material até a entrega de um pavimento final de alta qualidade e sustentabilidade para a sociedade, promovendo um futuro mais verde e seguro para as estradas brasileiras.
Fonte: jornal.usp.br


