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Verão Tempestuoso em São Paulo: Entenda a Física por Trás dos Raios Intensos e a Urgência da Proteção Elétrica na Capital

O verão paulistano tem sido marcado por um fenômeno climático cada vez mais intenso: tempestades concentradas, com alta densidade de raios, substituindo os tradicionais “chuviscos”. Janeiro e fevereiro, historicamente meses de maior incidência de descargas elétricas, mostram uma mudança na dinâmica desses eventos, gerando preocupação e a necessidade de compreender suas causas e impactos.

A Física das Tempestades Paulistanas: Convecção, Brisa e Urbanização

Carlos Morales, especialista em Meteorologia e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, desvenda os motivos pelos quais São Paulo atrai tantos raios. Segundo ele, grande parte dos sistemas tempestuosos se forma no verão devido à intensa convecção e à umidade abundante.

Um fator crucial é a convergência de massas de ar. “Existe, também, outro fator essencial para a formação desse fenômeno, as brisas marítimas”, explica Morales. A capital, situada em um vale a apenas 40 km do litoral, recebe diariamente a brisa do mar que sobe as montanhas, encontrando massas de ar que vêm do interior do estado. Esse encontro, combinado ao efeito de orografia e vale, intensifica as tempestades.

Morales também esclarece que, embora a poluição não seja um fator direto para a formação de tempestades, o asfalto presente na metrópole pode, sim, intensificá-las. Áreas urbanas com superfícies escuras que aquecem o ar e áreas verdes que não conduzem tanto calor criam circulações secundárias, estimulando a formação de nuvens e, consequentemente, de tempestades.

Infraestrutura Vulnerável: O Alerta da Proteção Elétrica

A intensificação dos raios e tempestades exige uma atenção redobrada à segurança das construções. Hélio Sueta, mestre e doutor em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP, comenta a fragilidade da infraestrutura urbana frente a essas descargas.

Dados da Associação Brasileira de Conscientização dos Perigos da Eletricidade (Abracopel) revelam um cenário preocupante: em uma pesquisa com 859 questionários, aproximadamente 66% das residências não possuem o SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas). Além disso, 67% não contam com um DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos), essencial para proteger equipamentos eletrônicos. No setor comercial, cerca de 60% das infraestruturas também carecem desse aparato. Embora edificações industriais tendam a ser mais protegidas, nem sempre estão em conformidade com as normas de segurança.

Proteção Contra Raios: O Que Funciona e o Que Não?

Sueta ressalta a importância de sistemas de proteção eficazes e alerta para novas tecnologias. O sistema tradicional de para-raios, utilizado há mais de 50 anos, oferece boa proteção, capturando o raio e conduzindo a corrente de forma segura ao solo através de um subsistema de aterramento. “Ele é composto de um sistema de captação, e uma vez capturado o raio que vem lá de impulsos da nuvem para a terra, ele envia a corrente comportadamente para o solo”, detalha.

Por outro lado, o engenheiro expressa ceticismo em relação a novas tecnologias de para-raios, como as Dissipativa e ESE/PDI, que estão sendo implementadas globalmente, mas não têm sua eficácia comprovada, diferentemente do sistema convencional. A conscientização sobre a importância e a correta instalação dos sistemas de proteção é fundamental para mitigar os riscos que o verão tempestuoso impõe à capital paulista.

Fonte: jornal.usp.br

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