Mentes em Pauta: Psicóloga Hariff Barbosa Revela Como Projetos de Extensão e Educação Popular Transformaram Incertezas em Propósito na USP

Mentes em Pauta: Psicóloga Hariff Barbosa Revela Como Projetos de Extensão e Educação Popular Transformaram Incertezas em Propósito na USP

No sexto episódio da série da Rádio USP, a psicóloga Hariff Barbosa compartilha sua jornada na universidade, marcada por desafios e a descoberta de um sentido transformador em projetos sociais e de extensão.

A trajetória universitária, muitas vezes idealizada, pode ser um caminho sinuoso de incertezas e busca por pertencimento. Essa realidade é o cerne do sexto episódio do “Mentes em Pauta”, a série quinzenal da Rádio USP que desvenda a saúde mental no ambiente acadêmico. Nele, a psicóloga Hariff Barbosa, em conversa com Letícia Domingos, narra sua experiência desde o ingresso na Universidade de São Paulo (USP) até a construção de um sentido profundo em projetos de educação popular, extensão e vivências práticas.

O Início e as Primeiras Dúvidas na USP

O primeiro contato de Hariff com a USP ocorreu ainda no ensino médio, em uma escola pública de Ribeirão Preto, através de um estudante bolsista que apresentava a universidade. Essa interação despertou não apenas interesse, mas também a preocupação com a permanência, impulsionando-a a buscar um cursinho popular como porta de entrada. Após frequentar o Cursinho Popular da Medicina (CPM) e interagir com outros estudantes, Hariff ingressou na USP com a expectativa de participar do projeto Embaixadores da USP. Contudo, o cancelamento da iniciativa em seu ano de entrada gerou frustração e um sentimento de desorientação. “Eu fiquei um pouco perdida”, recorda.

Em busca de estabilidade financeira, ela se viu em uma iniciação científica sem identificação prévia com a proposta. A experiência revelou-se um desafio, pois Hariff sentia falta de uma base acadêmica sólida, algo que era “subentendido” para quem entrava na universidade. A dificuldade com normas e a pressão por produção tornaram o período “muito traumático”, apesar da boa relação com a orientadora. “Eu gostava muito da professora, mas não conseguia corresponder em termos de produção”, explica.

A Virada: Encontrando Sentido na Educação Popular

Diante desse cenário de desalinhamento com a pesquisa, Hariff passou a buscar outros espaços na universidade que ressoassem mais com suas afinidades. Ela retornou ao cursinho popular, dessa vez como voluntária, oferecendo plantões de matemática, biologia e redação. Foi ali que ela começou a “ver sentido”, em contraste com a produção científica. Ao observar colegas imersos principalmente na pesquisa, sentiu-se deslocada, um “patinho feio”, questionando se a proposta da universidade se limitava àquele modelo.

O Impacto dos Projetos de Extensão e o Legado Profissional

Foi nos projetos de extensão e educação popular que Hariff encontrou seu verdadeiro propósito e reconhecimento. Entre as iniciativas mais marcantes, destacam-se o próprio CPM e o projeto Salvaguarda, este último concebido por estudantes da USP em 2016 para auxiliar alunos da rede pública a acessarem o ensino superior. Hariff participou ativamente de sua construção, inclusive sugerindo o nome e desenvolvendo a frente PSI, que posteriormente se articulou com o Projeto Rondon. Essa vivência culminou em uma expedição de 15 dias no Mato Grosso, na divisa com o Pará, uma “experiência muito intensa, maravilhosa e muito profissional”.

As experiências de estágio também foram cruciais para sua formação, com destaque para o aprendizado com o professor José Francisco Miguel Henriques Bairrão e a passagem pelo Centro de Orientação Psicológica da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto (Copi). Hoje, ao revisitar sua jornada, Hariff percebe que o caminho que parecia fragmentado se integra plenamente à sua prática profissional. “Tudo isso está completamente integrado à minha prática”, conclui.

O “Mentes em Pauta” é uma produção do Centro de Orientação Psicológica (Copi) da USP Ribeirão Preto, com apresentação de Letícia Domingos e trilha sonora de Kaio Alves.

Fonte: jornal.usp.br

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