A gestão de uma unidade de ensino da Universidade de São Paulo (USP) é um desafio multifacetado, especialmente em um período de intensas transformações e crises. É o que reflete o diretor que encerra seu ciclo de oito anos na gestão da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, sendo quatro como vice-diretor (2018-2022) e quatro como diretor (2022-2026). Durante seu segundo mandato, ele também assumiu a Presidência do Conselho Gestor do Campus Área Capital Leste, ampliando a responsabilidade institucional e a necessidade de articulação constante entre ensino, pesquisa, extensão, infraestrutura, segurança, mobilidade, cultura e políticas de inclusão.
Os dois mandatos foram marcados por desafios institucionais complexos, incluindo greves e paralisações, mudanças significativas em processos de compras e licitações, e, de forma proeminente, o impacto da pandemia de covid-19. Essa crise global exigiu da gestão respostas rápidas, solidárias e inovadoras para manter as atividades acadêmicas e administrativas em funcionamento, adaptando-se a um cenário sem precedentes.
Liderança Compartilhada e Respostas à Crise
Dirigir uma unidade de grande porte e sem departamentos, como a EACH, demandou, acima de tudo, uma forte capacidade de liderança compartilhada. A gestão enfatizou que nenhuma administração se sustenta sem equipes comprometidas, professores engajados e estudantes participativos. Ao longo do período, houve um investimento significativo na valorização das pessoas, no fortalecimento dos serviços acadêmicos, na ampliação da permanência estudantil e no desenvolvimento da internacionalização da unidade. Além disso, a infraestrutura foi modernizada com a implementação de novos laboratórios e a consolidação de políticas institucionais voltadas à inclusão e diversidade.
Entre 2022 e 2026, a EACH realizou 116 concursos docentes – abrangendo professores efetivos, temporários, de livre-docência e titular –, fortalecendo expressivamente seu quadro acadêmico. A contratação de novos funcionários também foi fundamental para a qualificação dos serviços. Houve uma expansão física notável, com a inauguração de novos equipamentos e a ampliação de serviços noturnos, visando atender ao perfil trabalhador de muitos de seus estudantes.
A EACH como Polo Estratégico na Zona Leste
A EACH consolidou-se como um polo estratégico de desenvolvimento humano, social e econômico na Zona Leste de São Paulo. Seus projetos de ensino, pesquisa e extensão impactam diretamente milhares de pessoas, promovendo cidadania, inclusão, sustentabilidade e inovação. Essa profunda inserção territorial, no entanto, impõe desafios adicionais à gestão, exigindo um diálogo permanente com as demandas sociais, a articulação de políticas públicas e o estabelecimento de parcerias institucionais para fortalecer o papel da universidade como agente transformador da realidade.
Gerir uma unidade sem departamentos nesse contexto demandou criatividade institucional, abertura constante ao diálogo e disposição para a construção coletiva. Isso significou um aprendizado contínuo, a revisão de processos, a capacidade de acolher críticas, enfrentar resistências e buscar soluções inovadoras para problemas estruturais, configurando um exercício constante de responsabilidade pública.
Agradecimentos e Visão para o Futuro
Ao concluir seu ciclo, o ex-diretor expressou profundo agradecimento às pessoas e aos entes institucionais que tornaram essa trajetória possível. Mencionou as professoras Mônica Yassuda (vice-diretora 2018-2022) e Fabiana Evangelista (vice-diretora 2022-2026) por sua competência, sensibilidade institucional e superação diária dos desafios.
Agradeceu também aos reitores da USP, professor Vahan Agopyan (2018-2022) e professor Carlos Gilberto Carlotti Junior (2022-2026), e aos respectivos vice-reitores, professor Antônio Carlos Hernandes e professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, além de todos os membros dos órgãos centrais, pelo apoio permanente, diálogo respeitoso e compromisso institucional com a EACH ao longo dos oito anos.
O ex-diretor desejou pleno êxito à nova direção da EACH, composta pelos professores Marcelo Fantinato e Graziela Perosa, e à nova gestão reitoral da USP, formada pelos professores Aluisio Segurado e Liedi Bernucci. Seus votos são de uma trajetória pautada pela sensibilidade social, pelo fortalecimento da universidade pública, pela valorização das pessoas e pelo compromisso permanente com a qualidade acadêmica.
A conclusão desse ciclo de oito anos na gestão, após mais de duas décadas dedicadas à EACH, é um momento de profunda emoção, gratidão e reflexão. O diretor que encerra sua jornada leva consigo aprendizados valiosos, relações humanas construídas com afeto e respeito, e a convicção de que a EACH continuará cumprindo, com excelência, sua missão institucional.
Fonte: jornal.usp.br


