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Falta de Doadores Dificulta Transplantes Renais no Brasil e Agrava Tratamento da Doença Renal Crônica

O Brasil alcançou um recorde histórico de transplantes de órgãos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com cerca de 30 mil procedimentos realizados em todo o país, dos quais mais de 6 mil foram transplantes de rim. Contudo, esses números, embora animadores, estão longe de suprir a crescente demanda. Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) revelam que aproximadamente 38 mil pessoas aguardam por um transplante renal, e a escassez de órgãos tem um custo humano elevado: entre janeiro e junho de 2025, 1.303 pacientes faleceram na fila de espera. Para o professor e urologista Carlos Augusto Fernandes Molina, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, o cenário reflete a principal barreira: a falta de órgãos disponíveis.

A Urgência da Doação: Família e Conscientização

A baixa taxa de doação de órgãos é um entrave crítico, diretamente ligada à recusa familiar no momento do luto. A legislação brasileira exige a autorização dos familiares para a retirada de órgãos de um doador com morte encefálica confirmada. Molina enfatiza a importância de que as pessoas manifestem em vida o desejo de serem doadoras aos seus entes queridos. “O familiar, conhecendo esse desejo prévio, fica mais confortável para tomar essa decisão em um momento de luto, que é extremamente difícil”, explica o especialista. Essa comunicação prévia facilita o trabalho das equipes de captação e é fundamental para aumentar o número de doações e, consequentemente, de transplantes.

Desafios na Lista de Espera: Medo e Critérios

Outro ponto de atenção é o baixo número de pacientes em diálise que estão inscritos na lista de espera para o transplante renal – apenas cerca de 20%. Segundo o urologista, a falta de informação e o receio em relação ao procedimento ainda afastam muitos pacientes dessa possibilidade vital. “Muitos têm insegurança, acham que permanecer em diálise oferece a mesma sobrevida que o transplante, o que não é verdade. Quem é transplantado acaba tendo uma taxa de sobrevida superior”, esclarece Molina. Além disso, há casos em que, mesmo com o desejo, pacientes não atendem aos rigorosos critérios clínicos e cirúrgicos necessários para a inclusão na lista.

Políticas Públicas e Prevenção: Caminhos para o Futuro

Para reverter esse quadro, Molina destaca a necessidade de políticas públicas robustas que não só incentivem a doação de órgãos, mas também promovam a expansão responsável da rede de centros transplantadores no Brasil. “Essa ampliação precisa ser sustentável e seguir critérios rigorosos para garantir qualidade e segurança. Mas nenhuma estrutura funciona sem a matéria-prima do transplante, que é o órgão”, ressalta. O professor reforça a importância de uma abordagem multifacetada: prevenção da Doença Renal Crônica, informação clara à população e o estímulo à solidariedade para a doação de órgãos, que é a base de todo o processo.

Doença Renal Crônica: Diagnóstico, Causas e Tratamento

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva da função dos rins, frequentemente evoluindo de forma silenciosa. Os sintomas costumam surgir apenas em estágios avançados, dificultando o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz. As principais causas em adultos são a hipertensão arterial e o diabetes mellitus, enquanto em crianças, as anomalias congênitas do trato urinário são mais comuns, exigindo acompanhamento desde a gestação. Nos estágios mais avançados, a terapia renal substitutiva é imperativa, com opções como a diálise e o transplante renal. Embora o transplante não seja uma cura definitiva, ele oferece resultados significativamente melhores a longo prazo em comparação com a diálise, proporcionando uma sobrevida superior e melhor qualidade de vida, mesmo que o rim transplantado tenha um tempo de funcionamento limitado.

Para auxiliar pacientes e familiares, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em parceria com a Liga de Cirurgia e Transplantes da FMRP, tem produzido vídeos educativos sobre o transplante renal e a vida pós-procedimento. Essas iniciativas são cruciais para desmistificar o processo e encorajar a decisão que pode salvar vidas, reforçando a mensagem de que a conscientização e a solidariedade são pilares para transformar a realidade da Doença Renal Crônica no Brasil.

Fonte: jornal.usp.br

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