Tensão aumenta no Irã com repressão a protestos e retórica antiocidental
Em uma tentativa de controlar a narrativa e conter a onda de protestos que abala o país, o governo iraniano convocou manifestações em apoio à república islâmica. Líderes iranianos, incluindo o Ayatollah Ali Khamenei, classificaram a participação popular como um “aviso” aos Estados Unidos e denunciaram o que chamam de interferência estrangeira. Paralelamente, organizações de direitos humanos reportam um número crescente de mortos, com estimativas sugerindo que mais de 6.000 pessoas podem ter sido vítimas da repressão, embora a verificação independente seja dificultada pelo bloqueio da internet.
Condenação internacional e pressão por sanções
A resposta ocidental à violência estatal no Irã tem sido contundente. O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a “violência de Estado” contra manifestantes, afirmando que o respeito pelas liberdades fundamentais é uma exigência universal. O chanceler alemão, Friedrich Merz, descreveu o uso de força desproporcional como um “sinal de fraqueza” e o Ministério das Relações Exteriores alemão pressiona pela inclusão do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) na lista de sanções antiterrorismo da União Europeia. A ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, apelou diretamente ao governo iraniano para que cesse a violência e defenda os direitos e liberdades fundamentais. A União Europeia também estuda a imposição de novas e mais severas sanções.
Economia em crise e desafios à teocracia
Os protestos, que começaram em 28 de dezembro com o fechamento do bazar de Teerã, foram inicialmente motivados pela crise econômica e pela desvalorização histórica do rial. No entanto, rapidamente se espalharam pelo país, com manifestantes clamando por mudança de regime, representando um dos maiores desafios à teocracia desde a Revolução Islâmica de 1979. Gritos como “Morte ao ditador!” e “Morte à República Islâmica!” ecoaram, e imagens do Ayatollah Ali Khamenei foram queimadas. O acesso à internet e às linhas telefônicas foi severamente restringido desde o início das manifestações, uma medida atribuída à interferência governamental.
Governo iraniano responde com demonstrações de força
Em resposta à onda de protestos, o governo organizou manifestações de apoio à República Islâmica. Milhares de pessoas reuniram-se em praças centrais, exibindo bandeiras nacionais e orações pelas vítimas dos “motins”, conforme descrito pela televisão estatal. O líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, elogiou a participação, interpretando-a como um aviso aos Estados Unidos e uma frustração aos planos de “inimigos estrangeiros”. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, descreveu a situação como uma “guerra em quatro frentes” – econômica, psicológica, militar e contra o terrorismo – e prometeu uma “lição inesquecível” aos EUA em caso de ataque.
Fonte: pt.euronews.com


