Aumento de Vítimas e Detenções
O número de mortos nas manifestações em curso no Irã atingiu pelo menos 544 pessoas, incluindo oito crianças, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA). A organização, com sede nos EUA, também reportou mais de 10.681 detenções nos últimos 15 dias. A CNN ressalta que não pôde verificar independentemente os números devido ao corte de internet no país, que já dura mais de 72 horas.
Origem e Expansão dos Protestos
Inicialmente focadas em protestos contra a inflação desenfreada nos bazares de Teerã, as manifestações evoluíram para um desafio generalizado ao regime iraniano. O aumento abrupto nos preços de produtos básicos, como óleo de cozinha e frango, e a decisão do banco central de encerrar um programa de acesso a dólares mais baratos desencadearam a revolta. Os protestos se espalharam por mais de 100 cidades, incluindo regiões como Ilam e Lorestão, com cantos de “Morte a Khamenei” ecoando em desafio direto ao Líder Supremo.
Diferenças e Impacto das Manifestações Atuais
Um fator notável nesta onda de protestos é a participação dos bazaris, tradicionalmente alinhados ao regime e historicamente atores políticos cruciais no Irã. A instabilidade econômica afetou diretamente seus negócios, levando-os a se juntarem às manifestações. Especialistas apontam que a frustração e exaustão da população podem levar a mudanças significativas, com um deles prevendo que a atual República Islâmica pode não sobreviver até 2027.
Contexto Político e Reações Internacionais
O Irã, uma teocracia desde 1979, enfrenta um cenário complexo com o presidente Masoud Pezeshkian, cujos poderes são limitados, e o Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei no comando. As tensões internacionais também se elevam, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando ataques em caso de repressão violenta aos manifestantes. Khamenei, por sua vez, pediu a Trump que se concentrasse nos problemas dos EUA, culpando o país pelo incitamento aos protestos. A Guarda Revolucionária Islâmica emitiu um comunicado alertando que a preservação do governo é uma “linha vermelha” e reservando o direito à “retaliação”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


