Liquidação e Operação Policial
Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Banco Letsbank S/A e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. A justificativa oficial foi uma grave crise de liquidez e sérias violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na mesma época, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, visando combater a emissão de títulos de crédito falsos. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso um dia antes da liquidação, mas obteve liberdade com tornozeleira eletrônica em menos de duas semanas.
Intervenção do STF e Viagem de Ministro
A defesa de Daniel Vorcaro solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a análise do caso, pedido que foi acatado pelo ministro Dias Toffoli. Desde então, as investigações ficaram sob o escrutínio do STF. Uma viagem de Toffoli a Lima, em um jatinho particular com um dos advogados de Vorcaro para assistir à final da Libertadores, gerou polêmica. Logo após seu retorno, o ministro impôs sigilo à investigação.
Relações com Ministros do STF e o BRB
A liquidação do banco também trouxe à tona a relação do ministro do STF Alexandre de Moraes com o Master. O escritório de advocacia de sua esposa possuía um contrato de R$ 129 milhões com o banco. Relatos indicam que Moraes teria procurado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, diversas vezes para tratar de interesses relacionados ao Banco Master, incluindo a tentativa de aquisição pelo BRB (Banco de Brasília). Moraes negou que as conversas tivessem o objetivo de pressionar a compra, esclarecendo que os encontros foram motivados por questões legais pessoais, como a aplicação da lei Magnitsky contra ele e sua esposa.
O Papel do Banco de Brasília e o TCU
O BRB havia aprovado a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master em março, o que representava 58% do capital total. No entanto, o BC vetou a operação em setembro, citando riscos e a falta de alinhamento dos ativos do Master com o perfil do BRB. Investigações posteriores sugerem que o BRB pode ter adquirido carteiras de crédito do Master de forma irregular para evitar sua liquidez, em uma fraude estimada em R$ 12,2 bilhões. O caso também chamou a atenção do Tribunal de Contas da União (TCU). O Ministério Público junto ao TCU solicitou uma análise sobre possíveis falhas do BC na fiscalização do Master. Apesar das explicações do BC, o TCU determinou uma inspeção na autoridade monetária, decisão que o BC recorreu. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, ressaltou que a reversão da liquidação extrajudicial é competência do STF, não do TCU.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


