Municípios Brasileiros Receberão Apoio Estratégico da USP para Se Destacar em Ranking Internacional de Cidades Sustentáveis GreenMetric

Municípios Brasileiros Receberão Apoio Estratégico da USP para Se Destacar em Ranking Internacional de Cidades Sustentáveis GreenMetric

Iniciativa pioneira da Universidade de São Paulo capacitará governos locais para integrar o UI GreenMetric, transformando dados em ações concretas para cidades mais resilientes e inteligentes.

Municípios brasileiros terão uma oportunidade única de aprimorar suas políticas de sustentabilidade e ganhar projeção internacional. A Universidade de São Paulo (USP) anunciou seu apoio estratégico para que cidades do país participem do UI GreenMetric for Cities, um renomado ranking internacional de sustentabilidade urbana. A iniciativa visa capacitar governos locais a compreender e aplicar indicadores complexos, organizando suas informações para evidenciar esforços em direção a um futuro mais verde e resiliente.

O programa, que já classificou mais de 70 cidades na Indonésia, escolheu o Brasil como ponto de partida para sua internacionalização. Não se trata apenas de uma competição, mas de uma ferramenta robusta para medir, comparar e, acima de tudo, impulsionar a transformação da gestão pública. Conforme destacou o diretor do GreenMetric, Vishnu Jowono, o objetivo é “fortalecer os governos locais por meio de dados e evidências, ajudando a construir cidades mais limpas, saudáveis e resilientes para as futuras gerações”.

O Papel Essencial da USP na Capacitação Municipal

A adesão ao ranking será acompanhada por um diferencial acadêmico significativo oferecido pela USP. Durante o primeiro ano, os municípios participantes receberão capacitação intensiva para dominar os indicadores do GreenMetric, otimizar a organização de dados e estruturar as evidências necessárias para a avaliação. Cada cidade designará um coordenador local, que será o elo com o programa de treinamento da universidade, garantindo um acompanhamento robusto e a validação das informações apresentadas.

A importância dos governos locais neste cenário foi reforçada por uma reflexão do ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon: “Nós vamos ganhar ou perder a luta pela sustentabilidade nas cidades”. Essa afirmação ganha especial relevância em um momento em que os municípios estão na linha de frente do enfrentamento de desafios como eventos climáticos extremos, gestão hídrica, mobilidade urbana e adaptação às mudanças climáticas, sendo os atores cruciais para o avanço da sustentabilidade no território.

GreenMetric: Uma Ferramenta de Transformação e Não Apenas Classificação

O diretor do GreenMetric, Vishnu Jowono, da Universidade da Indonésia, enfatizou que o ranking vai além de uma simples classificação. “Nós não vemos o ranking como uma corrida para chegar ao topo. Nossa missão é criar uma ferramenta de responsabilidade e transparência”, afirmou. O programa oferece monitoramento estratégico, mentoria e colaboração, funcionando como um catalisador para o aprendizado coletivo e para mudanças estruturais de longo prazo nas administrações municipais.

A metodologia do GreenMetric avalia o desempenho dos municípios em seis grandes áreas: ordenamento espacial e infraestrutura, energia e mudanças climáticas, gestão de resíduos, gestão da água, acesso e mobilidade, e governança governamental. Com um sistema de pontuação máxima de 10 mil pontos e um rigoroso processo de verificação de evidências e cruzamento de dados oficiais, a ferramenta busca uma compreensão abrangente da sustentabilidade urbana. Jowono ressaltou que a proposta transita do conceito tradicional de “cidade verde” para um modelo mais amplo de “cidade sustentável”, que inclui resiliência a desastres, transformação digital e integridade da governança, adaptando-se às especificidades de cada território.

Oportunidades e Desafios da Sustentabilidade Urbana

Mario Mantovani, fundador e diretor de Relações Institucionais da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma), sublinhou a crescente relevância de iniciativas de avaliação e certificação em sustentabilidade. Segundo ele, tais reconhecimentos são vitais para a competitividade dos territórios e para o acesso a financiamentos nacionais e internacionais, que hoje, em sua maioria, exigem padrões e indicadores ambientais. “Se o município já estiver preparado para isso, com inventários, planos e certificações, ele terá mais condições de acessar esses recursos”, explicou Mantovani.

Além de abrir portas para oportunidades, a participação no GreenMetric prepara os municípios para os impactos das mudanças climáticas, uma realidade inegável. Mantovani destacou que cidades de todos os portes podem se beneficiar, pois “as melhores experiências que vemos hoje muitas vezes vêm dos municípios menores, porque existe um engajamento muito grande da população”. O ranking, portanto, é um caminho para melhorar a qualidade de vida e enfrentar os desafios do futuro.

Da Academia à Ação: A Evolução do Conceito de Sustentabilidade

Criado em 2010 pela Universidade da Indonésia, o GreenMetric nasceu como um ranking de universidades sustentáveis, antes mesmo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A vice-presidente do programa, Abellia Anggi Wardani, explicou que o objetivo inicial era aumentar a conscientização sobre a sustentabilidade no ambiente universitário. Ao longo de 16 anos, a metodologia evoluiu, expandindo seu alcance para as cidades e, em breve, para o setor corporativo.

Essa evolução trouxe uma compreensão mais ampla da sustentabilidade, que transcendeu a infraestrutura física para abranger políticas institucionais, transparência, governança e a relação com a sociedade. A criação do ranking de cidades é um passo natural, refletindo a percepção de que muitas soluções desenvolvidas nas universidades dependem diretamente do ambiente urbano para se concretizar. “Quando governo local e universidade trabalham lado a lado, ambos avançam mais rapidamente”, observou Abellia, citando a mobilidade urbana como exemplo de sinergia necessária.

O GreenMetric para cidades foi concebido para ser uma linha de base para governos locais e órgãos de políticas urbanas, oferecendo uma avaliação imparcial e baseada em evidências. Abellia projeta que, nos próximos anos, a sustentabilidade será profundamente influenciada pelas transformações tecnológicas, como a inteligência artificial, moldando a forma como planejamos e administramos nossas cidades. O ranking, em última análise, busca transformar informações em ações concretas, impulsionando a prática da sustentabilidade nas decisões municipais.

Fonte: jornal.usp.br

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