12º Round: A Peça da USP que Desvenda a Luta de Emile Griffith, Pugilista Bissexual Contra Racismo e Homofobia nos Ringues e na Vida
Em cartaz até 14 de junho no Centro MariAntonia, espetáculo do Coletivo Nocaute ilumina a trajetória do campeão mundial e as tensões sociais que ainda ecoam.
A vida complexa e desafiadora do pugilista caribenho Emile Griffith (1938-2013) ganha os palcos com a peça “12º Round: A História de Emile Griffith”, do Coletivo Nocaute. Em cartaz até 14 de junho na sala do Teatro da USP (Tusp), no Centro MariAntonia da USP, o espetáculo mergulha na trajetória de um atleta que, além de colecionar títulos, travou batalhas pessoais contra o racismo e a homofobia que permeavam o universo esportivo e a sociedade.
O Nocaute que Mudou Tudo
O ponto de partida da montagem é uma tragédia que marcou Griffith para sempre. Em 1962, durante uma luta, o pugilista nocauteou Benny Paret após ser alvo de insultos homofóbicos. O golpe foi tão violento que Paret permaneceu dez dias inconsciente, vindo a falecer no hospital. O ator Fernando Vitor, que interpreta Griffith, explicou em entrevista à Rádio USP que a peça não se limita ao ponto de vista do protagonista. “O nosso espetáculo traz não só o ponto de vista de Griffith, mas também de Paret, do companheiro de Griffith e de outras importantes figuras, como a mãe de Griffith, sua namorada de fachada”, detalha Vitor, ampliando a riqueza narrativa da produção.
Campeão Dentro e Fora dos Ringues
Emile Griffith foi um nome de peso no boxe, conquistando cinco vezes o título de campeão mundial em três categorias diferentes. Contudo, sua relevância transcendeu o esporte quando ele se tornou o primeiro boxeador do mundo a assumir publicamente sua bissexualidade. Essa corajosa decisão, embora um marco para a diversidade, abriu uma nova frente de batalha para Griffith: a luta contra o preconceito, dentro e fora dos ringues, que o acompanhou por toda a vida.
Reflexões Atemporais
Com texto de Sérgio Roveri e direção de Bruno Lourenço, a peça se propõe a ser mais do que uma biografia. Ela traça um panorama sobre a violência no esporte, o racismo estrutural, a homofobia e as complexas fronteiras da masculinidade negra. O espetáculo convida o público a refletir sobre como essas tensões ainda ressoam na sociedade contemporânea, abordando as contradições, violências e resistências vivenciadas por “corpos dissidentes”. Além de Fernando Vitor, o elenco conta com Alexandre Ammano e Letícia Calvosa.
Serviço e Ingressos
“12º Round: A História de Emile Griffith” está em cartaz até 14 de junho, de quinta-feira a sábado, às 20 horas, e domingos, às 19 horas. As apresentações ocorrem na sala do Teatro da USP, no Centro MariAntonia da USP, localizado na Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, região central de São Paulo (próximo às estações Santa Cecília e Higienópolis-Mackenzie do metrô). A entrada é gratuita, e os ingressos devem ser retirados na bilheteria do Centro MariAntonia a partir de uma hora antes do início do espetáculo.
Fonte: jornal.usp.br
